Arsenal: a evolução do polivalente Maitland-Niles

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Com a confiança de Arsène Wenger, Niles tem evoluído muito nesta temporada


Arsène Wenger sempre tratou com carinho os atletas da base do Arsenal. Oportunidades de atuar na equipe principal não faltam. É verdade que muitas apostas não vingaram, mas a chance de atuar nas principais competições não faltou. Depois de algumas frustrações, hoje vemos alguns exemplos que têm dado certo e, se não são titulares absolutos, ao menos figuram entre os 11 iniciais, como Hector Bellerín e Alex Iwobi.


Nesta temporada temos presenciado um número bem maior de jovens atuando no time principal. Nos jogos de copa os meninos dominam. Foram eles que conseguiram a vaga antecipada ao mata-mata da Europa League e, graças aos gols de Nketiah, chegamos às quartas de final da Copa da Liga.


Até na Premier League alguns deles têm atuado com certa frequência, especialmente Maitland-Niles. Meia de origem, o inglês de 20 anos já atuou pelos flancos, como volante e nas duas partidas anteriores foi titular na lateral esquerda. Mesmo destro, teve boas atuações. Wenger, inclusive, elogiou a evolução do atleta em entrevista ao site oficial. Para ele, um dos fatores determinantes para esse seu crescimento foi poder ter a oportunidade de atuar na Championship, em 2015/16, quando esteve emprestado ao Ipswich Town.


"Às vezes, quando vão para a Championship, eles [os jovens atletas] podem pensar: ‘estou no Arsenal, então eu vou me sair bem em qualquer lugar’, e aí você chega na segunda divisão e percebe que bons jogadores estão por toda parte. Você tem que adicionar a luta às suas qualidades e isso te faz amadurecer. Ele [Niles] percebeu que na Championship é tudo muito difícil e a cada jogo você precisa estar pronto para uma briga”, destacou Wenger.


O técnico já havia dito que vê em Niles um atleta para atuar como um meia mais defensivo, mas garantiu recentemente que o jogador é inteligente o suficiente para atuar na lateral, mesmo que seja por pouco tempo. Rápido e bem fisicamente, ele já provou que tem qualidade o suficiente para ajudar o Arsenal por muito tempo. Mas qual a posição ideal para ele?


Maitland-Niles atuou como meia na campanha campeã da Inglaterra no Mundial sub-20 deste ano e foi assim que ele conquistou Wenger. No entanto, foi na ponta esquerda que se destacou na base do clube e no Ipswich. Em 2015, explicou o porquê de preferir jogar adiantado: "Eu prefiro jogar na ala porque eu posso correr mais e usar o meu ritmo para superar os marcadores, então eu acho que eu sou mais eficaz atuando por ali", declarou.


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Jovem foi titular nas duas últimas partidas da Premier League: contra West Ham e Newcastle


Com Monreal se tornando um zagueiro no 3-4-2-1, é muito provável que Wenger realmente esteja transformando Niles em um lateral. Seria um caminho semelhante ao de Ashley Cole, que na base era ponta e depois recuou para a defesa. Acontece que o garoto ainda precisa evoluir bastante no quesito marcação. Contra o West Ham, por exemplo, apesar de não termos sofrido gols, Arnautovic levou vantagem em alguns lances. Para um lateral, não basta velocidade, é preciso também esperteza e noção, o que Niles tem capacidade de sobra para adquirir - e Wenger de ensinar. Exatamente como no caso de Cole.


Na cabeça do francês, preferir o jovem inglês a Kolasinac com a volta do 4-2-3-1, talvez esteja no seu tempo de recuperação, que é inevitavelmente mais rápido, por se tratar de um jogador mais leve. Com sua velocidade torna-se possível corrigir qualquer erro de posição. Ofensivamente, com a bola, ele apoia com mais personalidade. Em contrapartida, tem relutado em usar o pé esquerdo na hora de cruzar.


Com a volta de três zagueiros, é possível que Niles perca a vaga para o bósnio. No fim de semana contra o Liverpool isso talvez já deva acontecer independente do esquema, pois o lado esquerdo da defesa do Arsenal será o responsável por se preocupar com Salah, melhor jogador da Premier League até aqui. Apesar de jogar em casa, não sei se Wenger manterá o garoto no time titular. Enfrentar os Reds seria um desafio grande demais para o “recém-formado” na posição. Mas se jogar e for bem, já estará devidamente testado.


Por fim, também é provável que Arsène esteja escalando Niles na lateral apenas para dar-lhe uma base defensiva mais sólida, para depois voltá-lo para o meio de campo. Já que sua ideia inicial era usá-lo como volante, faz sentido que essa mudança seja pensando nisso. Fato é que saberemos somente com o tempo. De qualquer forma, essas experiências serão, sem dúvida, muito benéficas para o atleta, que evoluirá taticamente a cada jogo.