Arsenal: o drama vivido por Emmanuel Eboué

Ter controle financeiro é importante tanto para os que vivem com um salário mínimo no Brasil até para os milionários jogadores de futebol. Se não tiver responsabilidade, uma hora a grana pode acabar e você ficar sem nada. Emmanuel Eboué, ex-lateral direito do Arsenal, tem sentido isso na pele. Após uma carreira vitoriosa as coisas começaram a mudar. Hoje, vive de favores, se escondendo dos oficiais de justiça, às vezes dorme no chão na casa de uma amiga e até já pensou em suicídio. Em entrevista reveladora ao Mirror, o jogador abriu o jogo sobre sua situação atual.


Eboué chegou ao Arsenal em 2005 e não demorou para se firmar como titular. Ganhou a confiança de Arsène Wenger e o respeito da torcida. Atuou pela seleção e disputou as Copas do Mundo de 2006 e 2010. No clube inglês o lateral ficou até 2011, quando se transferiu para o Galatasaray. Ao deixar a Turquia, em 2015, voltou para a Inglaterra para defender o Sunderland. Foi aí que tudo começou a desandar.


Sem ao menos estrear pela nova equipe, o atleta foi banido do futebol pela FIFA por 12 meses devido a uma dívida no valor de 1 milhão de libras não paga ao seu agente, Sébastien Boisseau. Com isso os Black Cats demitiram o atleta. Desde então, não jogou mais.


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Eboué foi titular na final da Champions, em 2006, contra o Barcelona


A FALÊNCIA - Sem conhecimento suficiente, Eboué atribuía à sua esposa a responsabilidade de cuidar de seus bens. O jogador afirma que nunca recebeu orientação para que pudesse gerenciar as finanças. Na época, isso não era um problema para ele. No entanto, a ingenuidade fez o jogador pagar o preço. E caro.


Após desentendimentos, Eboué e a esposa se separaram e começaram a travar uma batalha na justiça. O duelo foi vencido pela ex-cônjuge, que teve o direito de ficar com todos os seus bens, entre eles a sua casa, em Enfield, no Norte de Londres. O imóvel, no entanto, ainda está em sua posse, pelo menos por enquanto.


Suas coisas já estão todas em sacos, para facilitar a partida caso tenha que sair. Isso porque os oficiais de justiça podem chegar a qualquer momento. Dinheiro para pagar um advogado para tentar reverter a situação ele não tem. “Estou em casa, mas com medo. Não sei quando a polícia virá. Às vezes até apago as luzes para não perceberem que estou aqui”, diz. Para ele, só resta esperar.


“Eu olho para trás e digo ‘Emmanuel, como você foi ingênuo… por que não pensou nisso antes?’ É difícil, muito difícil. O dinheiro que ganhei eu enviei para minha esposa e nossos filhos. Na Turquia ganhei oito milhões de euros e sete foram enviados para casa. Tudo o que ela me pedia para assinar, eu assinava”, disse.


TUDO POR ÁGUA ABAIXO - Sem carro e com medo dentro da própria casa, Eboué passa parte do seu tempo na casa de uma amiga, onde dorme no chão da sala. É a ela e ao ex-atacante Lomana Lua Lua que vão seus agradecimentos. Foram os amigos que mantiveram o lateral vivo na luta para dar a volta por cima.


Os problemas extra-campo não se limitam ao dinheiro. Vão muito além. Eboué teve se manter forte após ficar longe dos tres filhos, Clara (14), Maeva (12) e Mathis (9). Além disso, viu seu avô - que o criou - perder a batalha para um câncer, e seu irmão, morto em um acidente de moto. Após tudo isso, chegou a pensar em suicídio.


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Hoje, Eboué luta para tentar recomeçar a vida


Enquanto tenta se reerguer, Eboué vive como pode em Londres. Usa o transporte público, sem dinheiro para comprar uma máquina, lava as roupas na mão. Sem poder pagar o pacote da Sky Sports, vai a pubs assistir pela TV os jogos do Arsenal.


“Quando vejo Thierry Henry, me sinto feliz por ele, mas tenho vergonha da minha própria situação. Vejo na TV meus amigos e os jogadores com quem joguei contra e penso que poderia estar lá também. É difícil”, revela.


A AJUDA BEM-VINDA - O desabafo e o pedido de ajuda na entrevista ao Mirror chamou a atenção do Galatasaray, por onde atuou. De acordo com o Mundo Deportivo, o time turco abriu as portas para Eboué trabalhar como auxiliar-técnico na equipe sub-14. Uma luz no fim do túnel pode ter sido avistada pelo atleta. Chegou a hora de recomeçar.