Arsenal: entre vexames e frustrações, a imagem de Wenger só piora

Foi deprimente ver o Arsenal em campo no domingo. Não tiro os méritos do Nottingham Forest, que fez uma ótima partida diante do seu torcedor, mas a postura do time foi de dar nojo. Criatividade nenhuma. Até os torcedores mais conservadores e otimistas sabem que está cada vez mais complicado defender Arsène Wenger. Ele não é o único responsável por tudo o que tem acontecido, claro, mas é detentor de uma boa parcela de culpa.


Mas não é o Wenger que está lá em campo jogando, é o que você me diz. Mas o trabalho de motivação é função dele. Nossa equipe reserva é limitada? Não importa. Com exceção de alguns promissores talentos, os nomes que começaram jogando podem ser desconhecidos e fracos tecnicamente, mas o bom comandante sabe tirar o melhor de seus atletas. O próprio professor francês sabe muito bem fazer isso. Mas está complicado. É complicado.


O primeiro gol sofrido é de abaixar a cabeça e dar aquela clássica penteada no cabelo com as mãos. Triste. O fato de Lichaj flutuar sem marcação nenhuma DENTRO DA PEQUENA ÁREA é vergonhoso. Um time amador não se toma gol assim. Os dois pênaltis, infantilmente cometidos, também dão tristeza. Discutir se foram ou não bem marcados é outra coisa.


Reprodução ESPN Brasil
Reprodução ESPN Brasil

Seis jogadores contra três: gol do Nottingham


Resultado disso foi ter quebrado mais um recorde negativo em sua passagem. Além de ter sido eliminado pela primeira vez na terceira fase da FA Cup desde que assumiu o comando, Wenger também conseguiu superar um feito centenário: a última vez que o Arsenal havia sofrido quatro gols de uma equipe de divisão inferior na Copa foi em 1908. São apenas estatísticas, mas elas mostram que o seu tempo já passou. A memória do torcedor, antes ocupada apenas pelos méritos conquistados por Arsène, agora ganha também lembranças dos fracassos colecionados nos últimos anos. E são muitos. As glórias jamais serão esquecidas ou manchadas, mas a imagem do técnico está cada vez mais poluída de raiva e decepção.


Na semana, Wenger deu entrevista exclusiva ao canal beIN Sports e declarou que “estaria disposto a sacrificar seu próprio trabalho pelo bem dos valores do Arsenal”. Uma declaração vindo de um sujeito que não larga o osso de jeito nenhum e, quando teve a oportunidade de sair com um honroso título sobre o Chelsea, abraçou uma renovação de dois anos com um discurso de que as coisas mudariam. E mudaram mesmo. Qualquer um em sã consciência não deixaria a situação contratual de Özil e Sánchez chegar ao ponto que está.


Ainda há tempo de evitar o que seria a pior temporada dos últimos anos. Temos as semifinais da Copa da Liga - o jogo da ida já acontece nesta quarta-feira (10), 17h55, ao vivo na ESPN Brasil - contra o Chelsea. É o menos importante dos torneios, mas pelos participantes restantes a responsabilidade aumenta. Além disso, a Europa League, que a essa altura, é a única esperança de Wenger em cultivar seus defensores. Há também a busca pelo G-4.


Entre vexames e frustrações, ficamos a espera de dias melhores.