Em 1987, Arsenal calou White Hart Lane duas vezes e despachou o Tottenham

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Em 1993 o Arsenal bateu o Tottenham no antigo Wembley e avançou para a final da FA Cup; deu o troco, já que em 1991 caiu para o rival na mesma fase da competição


Neste sábado (10), às 10h30, o Arsenal vai até o Wembley para enfrentar o Tottenham pela 27ª rodada da Premier League. Será o primeiro encontro das equipes no estádio após 25 anos. O templo do futebol, inclusive, não está acostumado a receber o North London Derby. Será apenas a terceira partida oficial por lá, sendo que as duas anteriores foram pelas semifinais da FA Cup de 1991 e 1993. Cada time levou a melhor e uma oportunidade. Agora, pode ser o desempate.


A questão é que Arsenal e Tottenham sempre reservam boas histórias. Hoje, conto uma das minhas preferidas. Pra isso volto ao final dos anos 80, quando enfrentávamos a maldita seca de títulos. Em 1987, o time treinado por George Graham estava a 16 anos sem conquistar o Campeonato Inglês - e chegaria a 18. O time naquela temporada não era dos melhores. Em contrapartida, o Tottenham de David Pleat era diferente. Apesar de não ter ganho a Liga, passava por um bom momento e contava com jogadores considerados tecnicamente melhores que os do adversário.


Em fevereiro o sorteio das semifinais da Littlewoods Cup - hoje Copa da Liga - definiu que as equipes se enfrentariam. O confronto marcado para o dia 8, no antigo Highbury, no entanto só seria definido no mês seguinte. No primeiro jogo os Spurs levaram a melhor. Clive Allen marcou e o Tottenham venceu por 1 a 0. Além disso, suportou a pressão do Arsenal, que desperdiçou inúmeras chances.


Na segunda partida, no White Hart Lane, uma atmosfera pesada vinha das arquibancadas e o time, dentro de campo, correspondeu. Ainda no primeiro tempo, Allen marcou e o Tottenham tinha 2 a 0 no agregado. Seria difícil algo tirar o time da final. Mas um som vindo do auto-falante das arquibancadas foi o combustível que o Arsenal precisava para voltar do vestiário com sangue nos olhos.


O locutor do estádio, em um ato equívoco - e provocativo, convencido de que a vaga na decisão já era certa, anunciou aos torcedores as opções de como e onde garantirem ingressos para a final em Wembley. Foi o bastante para a cabisbaixa e contida minoria torcida dos Gunners, presente no local, se enfurecer e soltar o grito entalado na garganta. No vestiário, os jogadores também ouviram e no retorno para o gramado, foram "saudados por um orgulhoso e desafiador grito nas arquibancadas", como descreve Nick Hornby, em seu livro 'Febre de Bola'.


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Niall Quinn marcou o gol da virada no replay e forçou uma terceira partida entre as equipes


O jogo era outro. Viv Anderson e Niall Quinn viraram o jogo e a partida foi para a prorrogação. Após mais 30 minutos de bola rolando, nenhum gol. Seria necessária mais uma partida para definir o classificado. No fim, o cara e coroa definiu que o terceiro jogo seria, novamente, no White Hart Lane.


Três dias depois, uma quarta-feira, estavam todos ali novamente. Um jogo rápido e aberto, apesar da característica lama no gramado - o charme do futebol inglês de antigamente. Voando baixo, Allen teve chances perdidas no primeiro tempo, mas no segundo, não. Aos 61 minutos, fez 1 a 0 para o Tottenham. O Arsenal, mais uma vez, parecia acabado. Charlie Nicholas, um dos principais homens de frente, saiu machucado. Para o seu lugar, entrou Ian Allison, o herói improvável.


Quando tudo parecia se encaminhar para o fim do jogo, Paul Davis lançou para Allison, que dominou, girou e colocou a bola no canto direito de Ray Clemence. Aos 82 estava tudo igual.


Desta vez, quem desabara fora o Tottenham. E o golpe veio de vez, da maneira mais cruel possível. O relógio já apontava os 90 minutos, quando Allison finalizou, a bola desviou e foi parar no meio da área. Rocastle dominou, jogou na frente e fuzilou. O último lance do jogo, o gol da virada, da redenção e da classificação do Arsenal para a final da Littlewoods Cup, após 300 minutos de duelo.


"Eu pensei que estaríamos fora desta vez", admitiu o técnico George Graham. Mas além de avançar, o Arsenal terminaria como campeão da competição, ao bater o Liverpool por 2 a 1 em Wembley.