Arsenal: a única 'vantagem' no clássico contra o Tottenham foi perder de pouco

Por Lucas Nicolau


Mais um North London Derby fora de casa e mais um jogo contra as equipes que são kryptonitas de nosso sistema: Tottenham e Liverpool.


Ao contrário de jogos contra os Reds, quando Wenger já tentou de diversas formas encontrar alternativas e estilos de jogo pra combater os comandados de Klopp, o jogo contra os Spurs fora de casa têm tido sempre a mesma cara ao longo dos últimos anos e, infelizmente pra torcida Gooner, a equipe não parece aprender com os erros.


Hoje Wenger abriu mão do 3-4-3 que poderia dar maior sustentação à saída de bola contra a pressão adversária (sempre três na primeira linha e mais amplitude com os laterais espaçando a marcação adversária), e fez tantos estragos no confronto do Emirates no primeiro turno, onde o Arsenal combateu pressão contra pressão e soube aproveitar os espaços deixados nas costas dos alas (seria uma ótima chance para Kolasinac contra um lateral não tão rápido como Trippier), brigando muito por cada espaço e conseguindo com muita garra tirar as diferenças de coletivo entre as equipes.


Nos primeiros dez minutos até se viu momentos promissores, com o time de Pochettino ainda tentando encaixar seu sistema. O Arsenal conseguiu sair jogando pelo chão e teve nos pés de Özil e Mkhitaryan boas oportunidades de chegar com perigo ao gol.


Getty Images
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Aubameyang não conseguiu produzir o que se esperava


Infelizmente o craque alemão não teve grande dia, mostrando as mesmas dificuldades de sair da marcação e girar sob pressão de outras épocas, e não conseguiu ser decisivo nos passes agudos que tentou, erros que não estamos acostumados. Ainda buscou encontrar Aubameyang de costas pra tabelar em algumas oportunidades, mas a falta de entrosamento prevaleceu e o gabônes não estava preparado, muito menos tem estilo e capacidade pra se associar assim.


Auba é um jogador bem diferente de Lacazette, sempre jogando 'nos ombros' da defesa, buscando oportunidades de usar sua explosão e capacidade de antecipação a qualquer momento. Já o francês gosta de jogar com a bola nos pés, usando sua técnica como se fosse um verdadeiro pivô de futsal.


Sem ter um Özil dominando ou com o time conseguindo segurar a bola no campo ofensivo, o Arsenal foi cada vez mais recuando suas linhas, optando sempre pelo chutão desordenado para não correr perigo, segurando o jogo na espera de um lance salvador ou um brilho individual. Porém, o que se viu hoje foi um time mais desligado e sem a mesma capacidade de brigar pela bola do que o Tottenham, perdendo divididas e as segundas bolas.


Ao menos conseguiu neutralizar Eriksen e o jogo entre linhas do rival no primeiro tempo, com o Tottenham apresentando um domínio estéril, se associando pouco no terço final, apenas com escanteios e jogadas pelas laterais.


No segundo tempo o Arsenal tentou vir com a mesma mentalidade até os famigerados 70 minutos de Wenger, mas em um erro de saída e numa cobertura falha pelo corredor esquerdo (a falta de Ramsey no lugar de um dos interiores canhotos fez diferença, pois tem grande capacidade de recuperação e sabe fechar tanto como ponta ou centrocampista pelo lado de Bellerin), Davies com uma liberdade incrível cruzou para Kane - sempre quase impossível de defender no jogo aéreo - punir os Gunners.


O Arsenal sentiu demais o gol, e sem saída de bola e já com a capacidade física e de cobertura da equipe a cair pelo desgaste, o pessoal da rua de baixo poderia ter feito o segundo gol em inúmeras oportunidades.


Quando teve a bola, a falta de movimentação não ajudou, e sem Ramsey, o que se viu foi inúmeras vezes apenas Aubameyang dentro da área (coisa que já vinha acontecendo nos últimos jogos sem o galês), facilitando o trabalho defensivo adversário. Com a entrada de Iwobi como interior e Lacazette na frente empurrando Auba pra ponta, o panorama do jogo não mudou e o Tottenham continuava a ser mais perigoso, agora nos contra-ataques.


Apenas no fim do jogo, com os visitantes já baixando suas linhas para segurar o placar, o Arsenal conseguiu se instaurar no campo adversário e incrivelmente criou três oportunidades claras de empatar a partida.


Na primeira delas, em falta de atenção defensiva em um cruzamento de Bellerin, a bola se apresentou limpa para Lacazette, e assim como contra o Chelsea em Stamford Bridge, o outrora frio artilheiro isolou a bola bizonhamente. Na segunda, em excelente enfiada de Iwobi e numa falha de antecipação de Sánchez, Lacazette teve tempo e espaço para controlar seu corpo e ajeitar a passada pra empatar a partida, porém, sentindo clara falta de confiança, jogou ao lado.


No último lance, Welbeck foi "derrubado" na entrada da área, e aí outro defeito do Arsenal veio à tona. Não temos agora no elenco nenhum cobrador de falta de nível, Aubameyang ou talvez até Mustafi sejam os jogadores de maior capacidade. Özil, o encarregado, já mostrou diversas vezes com a camisa dos Gunners que não tem força pra fazer a bola encobrir a barreira, e pela terceira vez seguida desde que assumiu essa função, cobrou em cima dela... dando fim ao jogo.


O Arsenal não vence a 16 jogos fora de casa contra um adversário do 'top 6', com 6 empates e 10 derrotas, sendo sete delas nos últimos oito jogos.