Merci, Arsène: você sempre será o Arsenal

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A despedida de Wenger nas palavras de Gerson Barbosa


Por Gerson Barbosa


Por anos eu pedia uma coisa quando se diz respeito ao Arsenal. Por anos eu só esperava que uma única decisão fosse tomada, e ela não envolvia jogadores, direção ou qualquer outro assunto que não o comando técnico. Por anos eu aguardei por esse momento que finalmente chegou. Por anos eu achei que eu ficaria extremamente feliz quando isso finalmente acontecesse, não importa a forma que ela se desse.


Por anos eu estava errado conforme o último tópico.


Finalmente Arsène Wenger vai sair do Arsenal e o sentimento de alegria instantânea durou apenas alguns segundos. Segundos preciosos e fundamentais para que eu pudesse de uma vez por todas entender a grandeza do francês para o clube londrino. A frase “Arsène is Arsenal” nunca fez tanto sentido na minha vida e um sentimento incontrolável de gratidão me fez derramar lágrimas no banho enquanto me aprontava para enfrentar o meu 20 de abril de 2018. Aliás, choro também escrevendo esse texto.


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Choro porque uma vida acaba de se encerrar. Os 22 anos sendo Arsenal não podem - e não serão - lembrados como um ciclo. É bem mais que isso, e todas as pessoas que reverenciam o maior de Londres, precisa entender dessa forma. É necessário que assim seja porque, apesar de tudo, Wenger entendeu que valores e sentimento têm de andar juntos com o manager de um grande clube de futebol. Ele foi um dos poucos a aprender isso e talvez por esse motivo o casamento entre as partes se desgastou. Por amor. Um amor que se tornou cego e irreparável em um determinado momento. Mas ainda amor.


Um amor que uma geração inteira soube interpretar e perceber. Um sentimento respeitado até pelos seus maiores rivais, que acabam tendo inveja da forma como que Wenger conduziu um grande clube de futebol. Inveja, sim! Porque embora o esporte viva de vitórias, nem sempre os resultados acabam sendo o único requisito para um legado vitorioso. Afinal, o boss deixa um legado que nunca será batido pelos lados de London Colney. E legado, meus amigos, conta-se nos dedos os que deixam.


Diante de tudo, eu, hoje, peço desculpas à maior figura da história desse clube. Desculpas por destratá-lo em muitos momentos, por não acreditar e por colocar o momento acima do legado. Eu não me arrependo disso, que fique claro, mas, depois de tudo o que ele fez pela agremiação, é o mínimo que posso fazer.


E junto das desculpas, vem o agradecimento. Essa parte a mais importante. Obrigado por um futebol que deu gosto de assistir, por jogadores que se transformaram em meus heróis, por momentos inesquecíveis como aquele 16 de fevereiro de 2011 – o meu momento mais feliz como um amante do esporte. Agradecer por elevar o patamar do Arsenal, pelos Invicibles, por Henry. E, acima de tudo, por amar esse clube a ponto de esquecer que a pessoa Arsène Wenger tinha uma vida. Por amar esse time como o maior dos torcedores.


Eu te prometo sempre vangloriar os momentos bons, como os títulos conquistados no Old Trafford e no Lane, pelas sete Copas da Inglaterra, por quatro Premier Leagues - sendo uma invicta - e, mais uma vez, por Thierry Henry. Eu também te prometo seguir com os valores que você construiu com o Arsenal e prometo amar o time como você amou. Amou, não. Ama. No presente. Porque a história acabou, mas o legado fica.


Merci, Arsène. Você me fez Arsenal e eu serei eternamente grato por isso.