Arsenal, Manchester United e a Batalha do Buffet

Neste domingo (29), o Arsenal vai até o Old Trafford para enfrentar o Manchester United. Um palco nada agradável e um adversário, como sempre, muito indigesto. Foram os Red Devils que, há quase 14 anos, encerraram nossa série de 49 jogos invictos. Neste mesmo dia, inclusive, as equipes protagonizaram um episódio cômico.


Com a bola rolando, naquele 24 de outubro de 2004, nada além do que já não estávamos acostumados a ver no clássico acontecia: um jogo pegado e algumas entradas violentas. A rivalidade estava à flor da pele.


Certas entradas eram ignoradas pelo árbitro Mike Riley, que parecia um garotinho maldoso observando de perto o circo pegar fogo.


Até que ele resolveu intervir. Já na reta final, Rooney invadiu a área e, ao passar por Sol Campbell, mergulhou. Saltou como um cervo na relva fugindo da presa feroz. Riley não titubeou e apontou a marca da cal. Pênalti.


Ruud van Nistelrooy bateu e abriu o placar. O lance gera revolta até hoje e seria um dos pilares do episódio que vos conto aqui.


Mais tarde, Rooney fez o segundo e fechou a conta. Estava encerrada a sequência invicta do Arsenal. As camisetas comemorativas de 50 jogos sem perder tiveram que ser usadas para outra finalidade. Acontece.


O que é difícil de acontecer é o que vem agora.


Getty Images
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Clima nada leve dentro de campo e fora dele


Após a partida, furioso com a derrota e revoltado com a decisão do árbitro em apontar um pênalti inexistente em Rooney, Wenger começou a "elogiar" os atletas do United chamando-os de “trapaceiros”.


Pelo menos foi o que revelou Alex Ferguson, em uma entrevista no ano seguinte, em 2005. "Entre e comporte-se. Deixe meus jogadores em paz", respondeu o técnico anfitrião.


Foi aí que tudo teve início.


Wenger foi em direção a Fergie e começaram a bater boca. Os jogadores entraram em cena e o empurra-empurra começou. No meio de tudo isso, um pedaço de pizza aparece do nada, sobrevoa o terreno de batalha e pousa sereno na face de Sir Alex Ferguson.


"Até hoje eu não tenho ideia de quem é o culpado", escreveu o técnico em sua autobiografia, lançada em 2013.


Em 2011, ao entrevista à BBC 5Live, Martin Keown, que estava no elenco do Arsenal naquela temporada, já havia dado uma pista do suposto autor do disparo.


"Como eu disse no rádio alguns anos atrás, pelo que eu entendi, era um cara espanhol com uma ótima técnica", disse. "Mesmo quando se tratava da pizza, ele tinha uma ótima técnica. Ele jogou como um Frisbee", declarou, dando indícios de que o protagonista seria Cesc Fábregas.


Após 13 anos do ocorrido, o espanhol, já no Chelsea, enfim admitiu. Em um programa da Sky Sports, Cesc relembrou o episódio e revelou, com bom humor, não ter tido a intenção de sujar Ferguson.


"Eu escutei barulhos. Saí com meu pedaço de pizza e vi Sol Campbell, Rio Ferdinand, Martin Keown, Vieira... Todo mundo estava se batendo. Eu queria participar, mas não sabia como. Então joguei o pedaço e acabou acertando justamente ele. Peço desculpas aos Sr. Alex. Eu realmente não queria fazer isso", contou às gargalhadas.


Na 'Batalha do Buffet’, como ficou conhecido o episódio, o Arsenal foi para o Old Trafford ocupando o segundo lugar, dois pontos atrás do Chelsea. A corrida rumo ao título não surtiu efeito e a equipe de Wenger terminou a temporada com o vice-campeonato, 12 pontos atrás dos comandados de José Mourinho. Porém, em segundo lugar: à frente do United.


OUTRO DESENTENDIMENTO - Antes disso, no primeiro turno, o túnel de um estádio já havia sido palco para desentendimentos por parte de Arsenal e Manchester United.


No jogo do Highbury, daquela mesma temporada, os capitães Patrick Vieira e Roy Keane discutiram e tiveram que ser separados, antes mesmo da bola rolar. A rivalidade entre a dupla ganhou, inclusive, um documentário: Keane and Vieira: The Best of Enemies.


Os técnicos não fizeram nada pro clima ficar mais tranquilo até 2009, quando Wenger convidou Ferguson para uma bebida após a eliminação do Arsenal para o United na semifinal da UEFA Champions League.