Definitivamente não existe final feliz para o Arsenal de Wenger

O relógio apontava mais ou menos 15h45 quando saí do trabalho e fui ao pub. Há muito tempo não ia. Me acostumei a assistir jogos do Arsenal em casa. Com outras pessoas e com cerveja é mais legal, é verdade. Mas haja grana. Como tratava-se de uma ocasião especial, resolvi ir.


Nas outras duas vezes que estive no O'Malley's, fui acompanhado de minha namorada e meu cachecol, que ganhei dela há quatro anos. Desta vez, compareci sem ela e sem cachecol.


Cheguei, fiquei no balcão, pedi uma cerveja e aguardei o jogo começar. Alguns torcedores por lá já se encontravam. O clima era legal, apesar de um pouco vazio. Dentro de mim, algo dizia que era possível. Visivelmente eles sentiam a mesma coisa.


Na semana passada, quando o árbitro apitou o final do jogo de ida, o sentimento era de nervoso, raiva, inconformidade. Na minha mente - e da maioria dos torcedores espalhados pelo mundo - a classificação havia sido perdida ali. Sequer precisaria haver uma segunda partida.


Na manhã desta quinta-feira (3), porém, meu sentimento dizia outra coisa. Somos torcedores. Somos sonhadores. E, no caso de nós, gooners, também temos sido ilusores.


O Atlético de Madrid começou o jogo já classificado. Um placar em branco já era o suficiente para eles. Então, como aconteceu no Emirates, o Arsenal foi quem ditou as regras do jogo. Começou bem. Criou chances. Lacazette se movimentava bastante. Parecia realmente ser possível.


Mas lidamos com um excelente time. Uma equipe que sabe muito bem o que quer. São 11 jogadores que, assim como os nossos de 2003/04 - guardadas as devidas proporções -, sabem muito bem aproveitar um contra-ataque. E o Arsenal de Wenger tem tido, cada vez mais, dificuldade de evitar isso.


Bola longa, Bellerín não acompanhou e Diego Costa marcou. Silêncio no pub. Segundos depois, alguns xingamentos de cá, outros de lá. Uns em inglês, outros em português.


Getty Images
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Mais uma péssima atuação do lateral espanhol


Do meu lado, um jovem rapaz, inquieto, roía as unhas. Fez isso o jogo todo. Ele era o reflexo da situação. O Arsenal criava, chegava com perigo, mas raramente as jogadas eram transformadas em finalizações. Enquanto do outro lado, cada ataque do Atleti era um Deus nos acuda.


A essa altura já estávamos com Chambers na defesa. Substituiu o lesionado Koscielny, que lamentavelmente rompeu o tendão de aquiles e deverá ficar fora da Copa do Mundo.


No segundo tempo a bola tinha que entrar. Mkhitaryan também. Nos primeiros minutos nada disso aconteceu.


Na TV de trás, o RB Salzburg abria o placar contra o Olympique de Marseille. Vendo toda aquela nossa agonia, pensava comigo mesmo, entre um gole e outro: "Será que só a gente não vai marcar?".


Nos minutos finais o Arsenal ainda teve outras oportunidades, o Atleti também, mas já estava decidido. Nada poderia mudar o que o próprio time fez, há uma semana, dentro de sua casa, com um jogador a mais.


Eu tinha total conhecimento da dificuldade, mas me iludi. Há anos não ficava tão triste com uma derrota. Imagino que Arsène deve estar tão arrasado quanto. Era a chance de ouro para ele deixar o clube com um título inédito, de amenizar o impacto ruim e colocarmos de volta à Champions League.


No entanto, o que sobrou foi decepção. Mais uma.


Paguei minha conta e saí. Lembrei que a temporada do Arsenal havia acabado ali. Wenger no comando, também. Mas, as incertezas ainda ficam. E a nós, torcedores, resta ficar na esperança de um futuro melhor. Um futuro vencedor.