O adeus final ao maior técnico da história do Arsenal

Getty Images
Getty Images

Merci, Arsène!


Desculpem o transtorno, mas chegou a hora dos agradecimentos finais.


Obrigado por Wiltord, Thierry Henry, Bergkamp, Vieira, Pires, Lehmann e pelos Invencíveis. Obrigado pelos dois doubles e por montar o arrasador time de 2003/04 que, por Deus, como jogava bola.


Obrigado também por ganhar a Premier League no Old Trafford e no White Hart Lane. Momentos maravilhosos esses. O Tottenham, inclusive, tem menos títulos da liga que você.


Mas, voltando…


Obrigado por sustentar a barra quando mudamos de estádio. Obrigado por segurar a mão nas contratações com consciência logo após essa transição. Gastar loucamente poderia nos levar a um buraco sem fim. Tudo bem que manteve o escorpião no bolso por tempo demais, mas ok.


Obrigado, porque não, pelas cômicas cenas de desentendimentos com José Mourinho.


Obrigado por chegar e mudar a cara do clube e do campeonato como um todo. Por mudar o comportamento do Arsenal dentro e fora das quatro linhas.


Agradeço também por ter repatriado Henry. O gol do retorno, contra o Leeds United, jamais será esquecido. O clímax do estádio, o abraço que ganhou dele na comemoração. Lembro que até os olhos do meu pai lacrimejaram naquele dia.


Por falar em clímax, obrigado por aquela vitória incrível de virada sobre o Barcelona, em 2011. O estádio estava lindo. Tão bonito quando o lançamento de Cesc para Nasri no gol de Arshavin.


Sobre vitórias, obrigado por aquela sobre o Milan, em 2008. Sobre o Real Madrid, em 2006. Sobre o Hull City, em 2014.


Obrigado por tirar Sol Campbell dos Spurs e ter trazido Super Tomas Rosicky.


Vale agradecer também todas as vitórias nos clássicos. Teve aquele 2x1 contra o United, em 2007. Os 5x2 sobre o Tottenham. O 2x1 sobre o Liverpool, em 2012 e o 5x3 em cima do Chelsea um ano antes.


Obrigado por toda a dedicação, carinho e amor nesses 22 anos. Foi uma relação que começou de maneira mágica e terminou melancólica. Mas que ficará eternamente guardada na memória, de maneira positiva.


Você, com certeza, vai ter estátua no Emirates, cara. Que fantástico.


Enfim, obrigado por ter sido o maior técnico da história do Arsenal e por isso ter acontecido na minha época. Me fez sofrer demais nos últimos anos, nossa Senhora, mas, como disse, esse texto é somente de agradecimentos sinceros, então obrigado por isso.


De sinceridade, também, foi recheada a sua despedida. Você sempre foi e sempre será o Arsenal, isso não se pode negar. Vou sentir saudades? Só o tempo dirá.


Mas uma coisa eu certa: me sinto mal só de imaginar o que deve passar na sua cabeça agora. Quando acabou o último jogo de sua longa passagem pelo maior de Londre, qual era o seu sentimento? Tristeza? Saudade? Sensação de dever cumprido? Ou ficou faltando coisas?


Quero que fique em paz, de consciência tranquila. Eu e muitos outros te xingamos demais, mas no fundo há amor nessa relação. A gente só te odiou um pouco porque foi graças a você que boa parte de nós se tornou torcedor.


E afinal, que graça teria chamar de burro o técnico do Chelsea? Eles trocam o comando assim como você troca de gravata.


E por falar em vestimenta, preciso agradecer por ser tão elegante. Já ganhei, inclusive, o aval da minha namorada pra me vestir no seu estilo quando ficar mais velho - e se um dia for rico pra comprar aqueles ternos.


Por fim, obrigado por colocar o Arsenal na minha vida. Você me tirou do sério muitas vezes, Wenger. Mas também me deu alegrias. E são delas que eu quero lembrar.


“One Arsene Wenger,
There's only one Arsene Wenger,
There's ony one Arsene Wenger…”