Técnica, talento e indisciplina: Matteo Guendouzi no Arsenal

Ao que parece, o Arsenal encerrou suas movimentações no mercado de transferências. Na terça-feira (10) o clube anunciou o meia Lucas Torreira, destaque do Uruguai na Copa do Mundo e da Sampdoria na última temporada. Um dia depois, foi a vez de outro jovem ser oficializado: Matteo Guendouzi.


Francês de 19 anos, o meio campista vinha chamando a atenção de alguns clubes após boas atuações pelo Lorient, time que defendia desde 2016. Dono de um bom passe e uma boa marcação, suas características técnicas e físicas se assemelham com as de Adrien Rabiot, do Paris Saint-Germain.


Mas, quem é este jogador? O que ele possui que tanto despertou a atenção do Arsenal?


Confesso que nunca o vi jogar, assim como a grande maioria. Pouco acompanho a Ligue 1, quem dirá a Ligue 2. De qualquer forma, fiz algumas pesquisas, assisti vídeos e cá estou para uma simplória análise do meia que vestirá a camisa 29 dos Gunners.


Os prós e contras


Matteo Guendouzi se enquadra perfeitamente no perfil de jogador para o Arsenal. Um meia habilidoso, passa bem, tem boa movimentação, lucidez e chega com qualidade ao ataque. Não é um completo pereba, daqueles que Arsène Wenger encontrava na França e contratava. Pelo contrário, é tido como uma grande promessa. Defende a seleção do país nas categorias de base desde o sub-18 e, atualmente, joga pelo sub-20.


Getty Images
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Guendouzi chegou e já treina com o grupo


É cria do PSG. Ficou por quase 10 anos na equipe da capital francesa até transferir-se para o Lorient, em 2014. Desde jovem apresentava uma qualidade um pouco acima dos demais. Em 2016 já havia feito sua estreia no time principal da equipe e não se intimidou: completou 91,2% de seus passes na temporada de estréia.


Escolhe, com inteligência, a hora certa de sair com a bola. Além disso, mostrou muita precisão nas bolas longas diagonais e nas passes mais agudos, quebrando a defesa e favorecendo os atacantes.


O fator negativo, ou que precise melhorar, é a marcação. Apesar de magro e alto, é combativo. Aproveita desse físico para recuperar bolas, mas talvez os seus pontos ruins estejam justamente no seu comportamento defensivo.


Tem 1,85 m, mas a disputa área mostrou ser uma fraqueza. Tem certas dificuldades para ganhar no alto. Problema que deve ser trabalhado com Emery e sua comissão.


Outra questão é exposta pelo Get French Football News: compensa a falta de velocidade com as passadas largas e, por ter pernas e braços grandes, usa e abusa disso para se proteger dos adversários. Mas, a autoconfiança em seu físico é tanta que às vezes atrapalha.


"Este mesmo aspecto pode torná-lo um pouco preguiçoso ou propenso a jogar sujo quando defende. Como ele costuma deixar um pé ou ser um pouco preguiçoso com o seu posicionamento. Além disso, embora tenha uma criatividade impressionante em seus passes, ele também pode ser excessivamente ambicioso ou parece não ter muita relação com seus colegas de equipe", destaca.


Pavio curto


A sopa de Guendouzi com o Lorient começou a azedar em novembro do ano passado e isso merece atenção. Por conta de um "incidente no vestiário" com o técnico Mickaël Landreau, no intervalo da partida contra o Valenciennes, o jogador ficou de fora do time titular por 10 jogos seguidos (quase três meses) da Ligue 2.


O francês Ouest-France alega que o atleta carrega a reputação de ser um tanto quanto "turbulento" após o episódio com Landreau e pela disputa contratual que travou com a equipe.


Durante a temporada passada, o Lorient ofereceu uma renovação ao jogador, mas foi recusada - outro motivo por ter ficado encostado. Seu deseja era de sair. O time chegou a cogitar uma possível venda ainda em janeiro. A Roma, dizem, era uma pretendente.


Na janela de janeiro ou agora, Guendouzi teria de ser vendido, para evitar que perdessem-o de graça - só eu me identifiquei com a história?



De qualquer forma, a imagem do meia ficou desgastada por lá. Dizem ser um atleta complicado de trabalhar, mas ao que parece o Lorient também não soube controlar a situação muito bem.


O Arsenal aproveitou a situação e chegou com 7 milhões de libras (mais bônus) e levou o atleta.


Perspectiva de evolução


Como todos sabemos e já falei por aqui, Unai Emery foi responsável pela evolução técnica e tática de jovens atletas do PSG durante sua estadia na França. Ele tirou o melhor de Rabiot, Marquinhos e Kimpembe, por exemplo.


Com Guendouzi, que Emery deve conhecer bem, não deve ser diferente. O jogador tem tudo para evoluir profissional e pessoalmente. Chega e pega um novo trabalho do começo, além de ter uma estrutura absolutamente diferente do que tinha no Lorient. A tendência é que evolua demais.


Além disso, quero acreditar que seu comportamento extra-campo não se repita no Arsenal.