Atlético de Madrid, o último pesadelo de Wenger no Arsenal

Tudo conspirava a favor do Atlético de Madrid nos últimos sete dias. Primeiro, o empate milagrosamente buscado em Londres, com um jogador a menos durante mais de 80 minutos, na semana passada.


Em seguida, a sofrida vitória contra o Alavés, no País Basco, pelo Campeonato Espanhol, com gol de Gameiro no final do jogo. 


Depois, a notícia de que Filipe Luís havia sido liberado pelo departamento médico do clube, 45 dias depois de sofrer lesão grave e passar por cirurgia na perna esquerda, driblando a maioria dos prognósticos.


Mas era preciso cautela. Ainda havia o Arsenal de novo pela frente. Uma semifinal para ser vencida e uma temporada para ser salva.


Cada dividida foi um gol. Quando o jogo muitas vezes pareceu fora de controle, lá estava Diego Godín para afastar de cabeça. Um monstro na grande área.


Lá estava Griezmann para incendiar a defesa adversária. O francês fez de tudo um pouco. Brigou por cada bola, sangrou, deu passe para gol e ainda foi o encarregado de reger a torcida que muitas vezes se retraía. Em condições normais, esta tarefa cabe a Diego Simeone, mas como foi expulso na última partida, ele não pôde estar à beira do gramado.


Getty Images
Getty Images

Antoine Griezmann foi o responsável por não deixar a torcida descansar 


Por último, não dá para deixar de falar de Diego Costa. Um touro. Foi o jogador que mais chutou a gol e o que mais completou dribles na partida. 


Como de hábito, não poderia deixar de carimbar o gol do Arsenal, assim como já havia feito outras três vezes com a camisa do Chelsea em seus tempos de Inglaterra. Um tormento na vida dos Gunners, definitivamente. 


Getty Images
Getty Images

Reserva na partida de ida no Emirates, Diego Costa marcou o gol da vitória do Atlético de Madrid sobre o Arsenal


Fora de campo, cada imagem de Diego Simeone nas tribunas era impagável. Não parou um minuto sequer de andar de um lado para outro e de berrar como se alguém em campo pudesse ouví-lo.


Mesmo à distância, os jogadores parecem incoporar seu espírito. Cholo chegou a incrível marca de 50 vitórias por competições europeias com o Atlético, recorde absoluto de um técnico no futebol espanhol. 


Depois do fim do jogo, ele pegou o cachecol e virou mais um hincha entre os quase 70 mil presentes no estádio Wanda Metropolitano, entre os quais estava o tenista espanhol Rafael Nadal.


Getty Images
Getty Images

Expulso no jogo de ida, Diego Simeone asistiu ao confronto entre Atlético e Arsenal nas tribunas do estádio Wanda Metropolitano 


O Atlético de Madrid agora soma 12 jogos sem tomar gol dentro de casa. São 1.100 minutos no total, 1.010 para Jan Oblak e 90 para Axel Werner. Mais do que isso, os colchoneros chegaram a 32 jogos sem ser vazado na temporada, mais do que qualquer outra equipe das cinco grandes ligas europeias.


Para o Arsenal, um baque e tanto. Era a última chance de ganhar um título na temporada. A última chance de conseguir uma vaga na UEFA Champions League. A última chance de dar a Arséne Wenger um título internacional.


Nada deu certo e o Atlético permanece como exterminador de times ingleses em mata-matas nesta década. Em 2010, tirou o Liverpool e bateu o Fulham na decisão da Copa da UEFA. Em 2014, eliminou o Chelsea nas semifinais da Champions. 


Agora, falta um jogo para o Atlético voltar a soltar o grito de campeão após quase quatro anos. Um jogo para Griezmann enfim beijar um troféu com a camisa do Atlético. Um jogo para Fernando Torres se despedir do clube com a faixa de campeão no peito. Um jogo para Vitolo e Gameiro tornarem-se tetracampeões da Liga Europa.


Prepare-se, torcedor colchonero. Vem aí a grande final no próximo dia 16 de maio. Lyon fica a cerca de 900 quilômetros de Madrid e a aproximadamente 300 quilômetros de Marseille, casa do adversário colchonero na decisão, o Olympique.