Rogério Micale caiu. Agora o Galo precisa evitar sua queda

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


A décima derrota atleticana no campeonato brasileiro de 2017 veio com dendê e coentro, essa erva do inferno que deveria ser combatida pela Polícia Federal feito substância ilícita. Foi o Vitória, time que figurava na zona de rebaixamento, que decretou mais um vexame do Atlético dentro de casa. O sétimo. 21 pontos perdidos em BH.


O 3 a 1 levado no Horto decretou a demissão de Rogério Micale. O Vitória foi o segundo time baiano a despachar um treinador do Galo em 2017. O primeiro fora o Roger Machado, demitido após a derrota para o Bahia por 2 a 0 também no Independência.


O técnico escalou e mexeu tão mal no time neste domingo que seria impossível defender a sua permanência. Sua chegada nada acrescentou. Quando Micale desembarcou na Cidade do Galo, estávamos vivos na Libertadores e na Copa do Brasil. Chegou na condição de tampão, temporário até o final do ano. Saiu das competições mata-mata e, no Brasileirão, deixou o time na mesma posição que encontrou: 11ª colocação.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

Não, Micale. Não tem nada joia aqui, não


E o que temos agora? 31 pontos e 13 rodadas restantes, onde precisaremos fazer mais 14 ou 15 pontos para fugirmos do rebaixamento. A favor, nem o fator ‘casa’. O desempenho alvinegro em Belo Horizonte em nada lembra o seu passado recente, quando fazia do Horto o cemitério das esperanças adversárias. Hoje, o som da torcida cantando ‘caiu no Horto, tá morto’ é apenas uma doce lembrança. O que torcida canta é outra coisa, e impublicável.


Contra as nossas pretenções de alcançar os 45/ 46 pontos redentores, tudo! Uma diretoria também temporária, uma vez que já definiu por não concorrer à reeleição. Jogadores completamente desestruturados emocionalmente, com medo de jogar diante do seu torcedor. Alguns deles, inclusive, vindos de experiências recentes e semelhantes, como Valdivia, que caiu com o Inter no ano passado e em condições parecidas. Parece claro que o espírito do time está quebrado! E ainda a chegada de um terceiro treinador na temporada. Mais um estilo de jogo para ser implementado, uma filosofia para ser absorvida, gerando descrença de todos os lados.


Como mobilizar todo mundo para a necessária arrancada final? Como se restabelecer a confiança dos próprios jogadores e da torcida após tantas decepções no ano? Como enfrentar uma troca de expectativas tão grande, de candidatos ao título à condição de fugitivo do rebaixamento?


Não tenho uma resposta. Só uma esperança: a de que o velho espírito guerreiro alvinegro ressurja na Massa Atleticana. Nós, que já carregamos nas costas e salvamos times piores e mais desalmados que esse, teremos de abraçar outra vez a equipe. Terá de ser na goela e na raça, incentivando os jogadores dentro de campo durante os 105 minutos outra vez. Levou um gol? Cantamos mais alto. O treinador trocou Adilson e deixou Yago? Até o apito final, Yago será Messi para a torcida. A resposta precisará vir da arquibancada, porque, lá de dentro, não espero grande coisa.


O técnico que chega poderá ser temporário. A diretoria que lá está, já se definiu como tal. Mas o resultado que eles deixarão ao final do ano poderá ser permanente.Se não fizermos a nossa parte, no ano que vem teremos Galo x Fortaleza. Não merecemos mais passar por isso. Não suporto o gosto de coentro na boca.


Getty
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Precisaremos carregar esse time nas costas