Galo de Oswaldo faz a Massa voltar a sorrir

Não há melhor lugar do mundo para se estar após uma vitória do Galo sobre o São Paulo do que na cidade-homenagem do time do Morumbi. Cá estou eu, no Brooklin, ostentando minha camisa Puma ano 2014, a cinza de São Victor, devidamente tatuada com o patch da conquista da Copa do Brasil da referida temporada.


Sabe como é: num ano de tantas dificuldades para o Atlético, acho válido resgatar na memória o bom momento vivido recentemente pelo time, em comunhão histórica com a torcida, quando levamos na base do ‘Eu acredito’ o torneio nacional daquele ano. Seguidos 4 a 1 sobre adversários importantes, tendo como único alívio cômico a própria final do torneio em si, contra o rival celeste. Ali, naquele novembro de 2014, apresentamos ao mundo uma lição que internamente já sabíamos desde sempre: nada é fácil para o Galo; só finais em cima do Cruzeiro.


2 semanas após a chegada do Oswaldo de Oliveira, duas vitórias seguidas pelo Brasileirão, uma perda ridícula de título sem importância e uma aprovação Deus-sabe-como no ANPAD depois, eis-me aqui. Período de afastamento necessário para cumprir uma agenda em Portugal e absorver as decepções vividas em 2017 com o Atlético. Agora, espírito refeito e mestrado engatado, vamos em frente falar desse Galo fênix que move nossas emoções feito montanha-russa.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


E a essência da transformação até aqui promovida pelo novo técnico está no fortalecimento do espírito, da confiança, da autoestima dos atletas. O discurso do Oswaldo é completamente diferente dos seus antecessores, ainda que a mensagem seja a mesma. ‘Temos grandes jogadores’, ‘não podemos dar espaços para o adversário’, ‘precisamos do torcedor ao nosso lado’… dito por alguém que tem currículo no futebol, que participou ativamente do começo profissional de alguns dos líderes do elenco, que conquistou coisa importante na carreira, tem legitimidade. Eis o grande desafio de quem está começando agora: ganhar o voto de confiança do vestiário, da cartolagem e da arquibancada.


Não apenas os 3 pontos conquistados, mas a forma como o Galo jogou é que trouxe ânimo para a torcida e jogadores. O domínio territorial, a qualidade das jogadas, a entrega dentro de campo… parecia o Galo de 2013/14 jogando, em que pese a fragilidade do São Paulo na temporada, brigando para não cair. O placar fajuto de 1 a 0 em nada traduz a produção alvinegra. E, aqui, chamo a atenção não ao poderio ofensivo da equipe. Em especial, gostei da consistência defensiva da dupla Roger Bernardo e Adilson. No melhor estilo (e-s-t-i-l-o, não característica) de Pierre e Donizete, não inventam, não querem jogar bonito.


Dos 46 pontos, primeiro alvo da equipe na atual conjectura, faltam-nos 9. 3 vitórias em 11 restantes? Bem alcançável, eu diria. Daí, para qualquer meta mais ousada, é um pulo. Mas tenhamos calma. Sigamos tal qual participantes de programas de reabilitação: um dia de cada vez, até que o Galo volte a ser o time do ‘Eu acredito’.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

A Massa voltando a sorrir