Ricardo Oliveira garante a folia atleticana

Getty
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Belo Horizonte, carnaval 2017


O reino de Momo já abriu a temporada de festas. O pré-carnaval corre solto nos quatro cantos do Brasil. A cerveja ruim já está pela hora do gás, mais cara que gasolina. Mas ninguém se importa. Assim, do nada, os problemas se transformam em donos de helicópteros e somem. Entre uma fantasia e outra, os nativos e os forasteiros só querem saber da farra. ’Não me socorre que eu tô feliz’.


BH é hoje um dos melhores carnavais de rua do Brasil, atraindo a atenção dos foliões de todas as partes. Já tínhamos o bar. Agora, temos esse mar de gente dançando e pulando pelas ladeiras da capital. O gringo que desembarca por aqui não apenas acha, mas jura de pé junto, que o mineiro é o bicho mais alegre do mundo! 

Mas, entre um intervalo entre um alalaô e um ziriguidum, ele para e olha para a TV. Vê um time alvinegro enfrentando um azul numa partida de futebol e observa o comportamento dos torcedores daquela equipe listrada. Como num passe de mágica, reconhece o escudo e se lembra do Ronaldinho Gaúcho, a expressão máxima da alegria, e se recorda da Libertadores de 2013, a mais épica da história.


Nada do que o gringo e toda torcida vê na tela da TV ou no estádio lembra o futebol jogado pelo Galo nos últimos anos. Não há mais alegria, entrosamento, proposta de jogo, Ronaldinho Gaúcho… nada. Nada do que se construiu com Cuca e Levir Culpi, ficou. Quer dizer, quase nada! Porque quando Victor sobe para a área adversária tentar um cabeceio num jogo de campeonato regional, quando Léo Silva faz mais um redentor gol de cabeça em outra partida, quando Luan entra em campo e incendeia o jogo, ali há um resquício do que fomos outrora.


O Atlético é hoje um amontoado de atleta tentando encaixar uma jogada, uma suruba desorganizada onde ninguém se dá bem. E, por isso, toma sufoco de uma equipe sem grandes orçamentos ou craques, mas de muito brio e com muita pretensão de colocar mais água no chopp já aguado do atleticano neste 2018 de, até aquele momento, uma única vitória.

Naqueles 90 minutos de pausa forçada no pré-carnaval de BH, o gringo observa o folião atleticano triste feito meio-dia de quarta-feira de cinzas, brabo feito prefeito do Rio diante dos protestos das escolas de samba na Sapucaí, e desesperançoso feito cruzeirense em final de Copa do Brasil contra o Galo. E talvez se questione: será esse povo realmente alegre?


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Eis que Ricardo Oliveira, com uma cavadinha bateria nota 10, faz o único gol de uma partida sem importância, nos acréscimos do segundo tempo, e ‘explode de alegria o coração da Massa’. Sim, o pastor artilheiro traz de volta o fogo festivo e o samba no pé dos passistas alvinegros. Longe de ser um sinal de que o Atlético esteja nos trilhos, esse gol traz a segunda vitória no ano e permite o atleticano aproveitar um pouco mais dessa festa pagã que cura corações e esperanças. Assim como no trabalho e nas outras esferas da vida, as tristezas com o futebol podem esperar.