A CBF não quer o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro

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A Confederação Brasileira de Futebol não quer oferecer ao espetáculo que organiza o recurso do VAR (video assistant referee ou árbitro assistente de vídeo, em inglês). A decisão da CBF ficou clara ao não aceitar dividir os custos da implantação do sistema no Brasileirão 2018 com os clubes. 


O árbitro assistente de vídeo será a novidade na Copa do Mundo da Rússia, com início em junho deste ano.


Responsável pelo futebol no Brasil, cabe à CBF selecionar, treinar e avaliar o desempenho dos profissionais (?) que conduzem as partidas oficiais, como descreve o ‘Regulamento Geral das Competições Organizadas pela CBF’ em seu capítulo 9˚:






CAPÍTULO IX 

- DA ARBITRAGEM



ART. 32 - A arbitragem das partidas das competições ficará a cargo dos árbitros pertencentes à Lista de Árbitros da CBF, aprovada anualmente pela Diretoria da CBF.

Parágrafo único - Os árbitros da Listas de Árbitros da CBF, ao se apresentarem para o exercício de suas funções, deverão estar regularmente uniformizados e conduzindo, exclusivamente, o equipamento na forma estabelecida pela Comissão de Árbitros da CBF.




ART. 33 - Nenhuma partida deixará de ser realizada pelo não comparecimento do árbitro, dos árbitros assistentes e árbitro reserva.


Parágrafo único - Competirá ao Delegado da CBF providenciar os substitutos, entre os pertencentes à Comissão de Árbitros da CBF e à Federação, para que a partida se efetue.




ART. 34 - A indicação do árbitro, árbitros assistentes e árbitro reserva será feita pela Comissão de Árbitros da CBF.





Contudo, na reunião ocorrida nesta segunda-feira 5/março, a CBF não aceitou participar em nada no rateio dos custos da implantação do sistema, que oferece uma oportunidade ímpar de se evitar injustiças não raras nas decisões tomadas exatamente por aqueles designados pela confederação para a condução dos jogos. Todo atleticano com mais de 5 anos de vida sabe de cor e salteado todos os episódios onde fomos gargados pelos homens da latinha...


Assim, com os custos que ficariam entre R$ 800 mil a R$ 1 milhaõ por clube (valor não oficial), a maioria das agremiações decidiu, em votação, não arcar com a totalidade das despesas, rechaçando assumir a conta.



  • Votaram a favor: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chape, Palmeiras, Grêmio e Inter.


  • Votaram contra: Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro-MG, Atlético, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória, Ceará.


  • Não votou: São Paulo.


Tivesse a CBF assumido a parcela que lhe cabia no rachid - a metade, ao menos, como acontece entre casais modernos -, o resultado poderia ser outro.


Não teremos o VAR no Campeonato Brasileiro de 2018. Homens de bem, mas que cometem erros como qualquer humano, e homens mal intencionados com o apito na mão, continuarão donos e senhores dos sonhos e frustrações de milhões de torcedores apaixonados, (mal) tratados pela confederação cujo presidente sequer pode sair do país.


Vai ver é por isso: a economia com o VAR, que poderia trazer um pouco mais de justiça para o futebol nacional, poderá ser usada a qualquer momento para custear despesas advindas de outras Justiças.