Enfim, o ataque de Oswaldo de Oliveira funcionou

Não, Ricardo Oliveira não fez um hat-trick contra o modesto Atlético Acreano, apesar de uma chance clara de gol perdida. Não, Otero e Roger Guedes não funcionaram como se esperava, apesar de uma ou outra jogada de efeito que poderiam ter resultado em vantagem no placar. Não, Elias não só não foi o elemento que fez a diferença como perdeu o tento mais feito da noite. Não, Luan não conseguiu transformar sua energia, entrega desmedida e amor à camisa em comemoração. A bem da verdade, ele trouxe, sim, alguma coisa boa ao atleticano. Vê-lo em campo é bom demais. Luan é o resquício de um passado competitivo e glorioso. Luan é aquela foto na prateleira capturada num momento quando fomos felizes.


Diante de uma briosa equipe de série C, o ataque montado por Oswaldo de Oliveira conseguiu marcar um único gol, suficiente, mas que fez o time do Galo correr o risco da eliminação precoce na Copa do Brasil. O xará acreano mostrou-se mais bem postado, com jogadas rápidas e pensadas. O Galo, afoito, na base do chutão, era nitidamente inferior.


Se pesa o cansaço da viagem, pesa a favor do time mineiro uma estrutura de treinamento que a equipe acreana não faz nem ideia do que seja. O que é folha de pagamento - R$70.000 - para o time do norte do Brasil, é o bicho, a premiação por vitória, aos jogadores de Oswaldo. Tal diferença na infraestrutura de desenvolvimento e qualidade técnica dos jogadores não só não foi percebida em favor do Galo como, se sofresse o revés, a derrota não seria injusta.



Se os comandados de Oswaldo não demonstraram a agressividade necessária para marcar mais gols dentro de campo, o técnico resolveu mostrar como se faz em sua coletiva para a imprensa. E escolheu, como adversário, justamente aquele jornalista que costuma fazer a pergunta que incomoda. Incomoda porque toca em pontos nevrálgicos. Não se faz de ‘escada’ para o técnico subir. Pergunta o que o torcedor tem vontade de saber, um dos papeis da imprensa esportiva livre.


Oswaldo de Oliveira se irritou. Irritou-se e impediu o jornalista de fazer suas perguntas. Chamou-o de mal-intencionado… Sim, Leo Gomide estava mal-intencionado. Sua intenção não era ser o Dedé para que Oswaldo fosse o Didi dos Trapalhões. A pergunta colocava a estratégia quase desastrosa do técnico em xeque. No meio da confusão, o treinador chegou ao cúmulo de dizer que o papel do jornalista não era dar opinião. Reação clássica de quem acredita que a única opinião que importa é a dele e de quem concorda com suas palavras.


Não satisfeito, como num segundo tempo da confusão, Oswaldo foi pra cima do jornalista, dessa vez partindo para as vias de fato. Segundo Oswaldo, Leo Gomide o teria xingado. ‘O pior xingamento que recebi, proporcionalmente, em minha carreira’, disse o treinador.


Teria sido em libras, a linguagem brasileira de sinais? Porque, honestamente… Como tudo foi filmado e gravado, até o momento que escrevo esse texto, não havia sido apresentado qualquer prova material que sustentasse a tese. A tentativa de chute dada pelo treinador, há. Os impropérios - de ‘babaca’ a ‘caralho’ - por parte do treinador, também.


Em defesa do treinador, diretores de futebol e comunicação já disseram que o jornalista está proibido de trabalhar na Cidade do Galo. Sim, o profissional da imprensa tem seu trabalho cerceado pelo clube, justamente porque incomoda, faz perguntas complexas e diferentes, levanta dados e contrapõe as informações oficiais. Se em campo o Galo leva gol de tudo quanto é time, fora dele Oswaldo e a diretoria querem, literalmente, fechar a casinha. Censura.


Em que pesa a possibilidade, remota e até aqui não comprovada, do Leo Gomide ter xingado o Oswaldo entre o primeiro e o segundo episódios da agressão, nada justifica a conduta do técnico ante as perguntas iniciais do repórter. E tampouco o endosso do diretor de comunicação do Galo. Só demonstra, na verdade, que Leo Gomide já era uma ‘figurinha carimbada’ pela direção e comissão técnica, assim como Leonardo Bertozzi (ESPN), Fred Melo Paiva (Estado de Minas) e a Elen Campos (ESPN FC), por exemplo. Jornalistas críticos e independentes, não meros assessores do clube infiltrados na imprensa.


Ao atacar - e, por vezes, mobilizar parte das mídias sociais para também atacar - os jornalistas que questionam e criticam as decisões de quem comanda o Galo, a diretoria coloca a instituição numa situação de fragilidade perante a opinião pública, impede que o torcedor tenha informação de qualidade e cria uma redoma que os afasta da realidade. Não há cenário melhor para que erros ainda mais absurdos aconteçam.


Vai ver é isso. A estratégia do Oswaldo de Oliveira e da direção de futebol foi dar um jeito da gente esquecer a terrível partida feita pelo Galo. Neste aspecto, o ataque do Oswaldo ganhou de goleada!