Oswaldo caiu. Cuca a caminho? (ou quais perguntas Léo Gomide teria feito na coletiva?)

Oswaldo de Oliveira caiu. A demissão do treinador foi anunciada hoje pela cúpula alvinegra em entrevista coletiva.


Não, Léo Gomide não estava entre os repórteres. Está proibido de exercer o jornalismo isento dentro das instalações do Galo. Talvez por isso não teve quem perguntasse ao presidente e diretor de futebol os reais motivos pela queda do treinador.


Sette Câmara e Gallo alegaram motivos técnicos para a troca. Disseram que a postura do time dentro de campo não estava agradando. Decidiram pela mudança antes que fosse tarde demais. E reiteraram que o episódio entre o agora ex-comandante e o jornalista em nada impactou na decisão final.


Tivesse o Léo Gomide lá, talvez perguntasse:


1. Qual Oswaldo de Oliveira terminou 2017 e qual começou 2018? No que os dois se diferenciam tanto a ponto de confirmarem o profissional que terminou a temporada passada e o demitirem com apenas 7 jogos disputados?


2. Se o estilo de jogo do treinador não agrada (e não agrada a uma expressiva parcela da torcida), já não agradava em 2017. Porque esperar o início do ano para trocar? Não seria melhor montar o time já com o novo técnico?




3. Como exigir do treinador uma melhora técnica em 20 dias de trabalho se algumas das referências do time saíram (negociados pela diretoria), se a comissão vem alternando a escalação do time para as partidas oficiais ora com atletas titulares, ora com os suplentes (certamente com o ‘de acordo’ dado pela diretoria), se qualquer novato sabe que demora um tempo para o time dar liga?


4. Se o estilo de jogo do Oswaldo não tem agradado, qual é o estilo de jogo, a escola de futebol, que o Galo quer adotar? Controle da partida, banho-maria, posse de bola ou agudo, verticalizado, veloz? O que a diretoria enxerga de futuro para o estilo de jogo do clube?


Getty
Getty


Mas, não! Ninguém fez tais perguntas. Ao contrário, ouviram calados a confirmação de que o colega de imprensa continua cerceado do direito de cobrir o clube, acusado - ainda sem prova cabal - de ter xingado o Oswaldo.


O jornalista acreano que disse ter ouvido a palavra ‘caralho’, relatou: ”O Oswaldo ouviu esse palavrão. Diferentemente do que foi dito pelo Oswaldo em programas de TV hoje (quinta), o Léo não disse ‘vai para a casa do caralho’. Isso não aconteceu. Ele (Léo) resmungou e falou ‘caralho’ enquanto desmontava seu celular e sua luz.”


Eu não morria de amores pelo estilo de jogo do Oswaldo. Não via nada de rico ou inovador. Não via boas mexidas, estratégicas, nós táticos… Mas, cá entre nós, foram 20 partidas com apenas 3 derrotas. E deu uma parcela de contribuição que fez merecer o meu respeito. Gostaria de vê-lo como diretor de futebol. Mas não como técnico em 2018. Falei sobre isso aqui.


Cuca pode chegar. Abel Braga também é lembrado. Torço pelo primeiro. Muito. Mas, acima de tudo, torço para que a diretoria do Galo recém empossada lide melhor com essas situações de crise. Elas acontecem o tempo todo. Mais ainda agora, na era das redes sociais. Não é porque eles decidem que o fato não existe ou existe que a situação se molda. Precisam buscar um(a) profissional de Relações Públicas que saiba conduzir situações como essa do Oswaldo com o Léo, dentre outras.


Censura, perseguição e incapacidade de lidar com as novas demandas da sociedade organizada colocam o Atlético em situação de enorme fragilidade perante a opinião pública.


Não, presidente. Não foi o Léo que manchou a imagem do clube.