Galo 110: nós somos nosso maior troféu

Divulgação Atlético
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Alegria de viver há 110 anos


Viaja comigo, atleticano: levanta, veste a camisa, pega o balaio e vá lá pra sede. Vá lá ver de perto aquelas belezuras de troféus que a gente conquistou no campo e na arquibancada, no gol e no grito. Não faça cerimônia e fotografa diante dele, o graudão da Libertadores da América. Self obrigatória. Aproveita que você tá aí e se permita deixar levar pela emoção daquelas partidas míticas de tão reais.


Então vai, vive aquela hecatombe interior de novo, aquela euforia junto com uma leveza na alma – era título o que faltava? Toma uma Libertadores com Ronaldinho. Faz o seguinte: dá também uma longa mirada na taça da Copa do Brasil. Sente de novo a potência de alegria da final mais fácil da história. Lembra do Tardelli comemorando o gol. Abre o sorriso pensando no quanto foi apoteótico cantar alto 105 minutos sem precisar parar. E se não for pedir muito, lembra também dos momentos apocalípticos que antecederam essas vitórias.


Lembra que antes de ver erguidos esses troféus, houve intermináveis momentos de incertezas, tristezas e até desespero. Houve necessidades de placares de quatro gols, houve um pênalti a ser defendido aos 46 do segundo tempo. Busca aí na cachola: onde sua tristeza foi parar quando tudo parecia findar trágico outra vez?


Foi dar na imagem do seu amado avô, que te fez atleticano de nascença? Na paixão desmedida do seu pai, que te ensinou a falar Galo antes de dizer seu próprio nome? Na audácia da sua vó, que ousou ser torcedora quando ainda não lhe davam mesmo direito? Na figura forte da sua mãe, que tantas vezes torcia roupas e os próprios braços vendo o time ser injustiçado em campo? Ou você pensou naquele seu tio atrevido de tão atleticano, que te tirou das garras de coelhos e raposas e trouxe para o lado certo da vida?


Na alegria e na tristeza, atleticano, nesses momentos você pensou nos que te trouxeram até aqui e nos que seguem a caminhada do seu lado. Pensou nos primos que o Atlético nunca deixou ficarem distantes. Pensou no porteiro com quem você cultiva assuntos alvinegros além do bom dia e boa noite. Pensou nos vizinhos com quem pode contar, pois vão juntos pra janela vibrar nas horas certas. Pensou nos colegas alçados a amigos do peito, os mesmos que estavam por perto acreditando em dias melhores quando o mundo duvidava.


“É só um jogo”, dizem enquanto você pensa em todos os irmãos de arquibancada que chegaram, passaram e marcaram sua história. Aqueles bem-aventurados que tiveram a mesma sorte de ter alguém que os levasse a torcer pelo Clube Atlético Mineiro.  


Agora olha de novo, atleticano. Repara no verdadeiro troféu e lustra sua alma.