Edilson e a mentalidade obtusa do brasileiro médio

O futebol já foi lugar de ofensas de cunho racial, homofóbico, machista e misógino. Certamente ainda há os que não querem ou não conseguem se desvencilhar dos velhos hábitos. Hábito é um trem difícil de largar, mesmo que a razão, os amigos e o Estado te digam para mudar. Há tanto tempo você repete os mesmos rituais, né? O danado do cafezinho-boca-de-pito pós almoço tá aí pra não me deixar mentir. Você só largará o cigarro, o racismo, a homofobia e o machismo quando não tiver mais solução.


Mas esses comportamentos ainda tão comuns no futebol não são observados apenas nas arquibancadas. Estão presentes na cancha, nas quatro linhas e nos arredores. É um ‘jogou onde’ todo dia! Lá está o Edilson que não me deixa mentir. Ao se referir a Otero com menosprezo por sua nacionalidade e seleção que defende, o jogador cruzeirense, campeão mineiro de 2018, repete um comportamento não apenas visto entre os boleiros. A intolerância ao imigrante é mundial, em diferentes proporções.


Vejam só que curioso! Jogadores de futebol vêm de diferentes partes desse mundão. No Galo, temos equatorianos, venezuelanos, brasileiros de todos os cantos. E, mesmo entre eles, há manifestações xenófobas! A xenofobia, tantas vezes manifestada na sociedade brasileira – em especial contra os nordestinos –, aparece desbragadamente na fala do lateral. Curioso, mas não me espanta. Edilson é mais um indivíduo que busca diminuir o outro por conta da sua origem.


A falha de caráter do jogador é consequência de toda uma cultura mesquinha do brasileiro médio, com seu racismo, homofobia, machismo e xenofobia incutidos pelas gerações e gerações de um país escravagista até outro dia. Digo sem medo de errar: isso serve pra mim, também.


Esse episódio da final do Mineiro me serviu de reflexão. Quem sabe não servirá a outros, também. Afinal, como disse Phillip Kotler em sua mais importante obra (Administração de Marketing, 2000), “a maneira como a pessoa motivada realmente age é influenciada pela percepção que ela tem da situação”.


E ó que boa observação para o presidente do Galo?! A final do Mineiro serviu pra gente ter uma percepção muito clara de que ainda há muito para reforçar nesse time. Pronto para disputar o título brasileiro, não tá. O Galo precisa voltar a contratar peças-chave que chegam para resolver o problema da posição e levantar caneco. Esses hábitos bons, precisamos resgatar. Dá seu jeito, Gallo!