Galo: vitória sobre o Corinthians pode ter reacendido a chama da torcida

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

A Massa, sempre ela


Quando disputávamos o título do Campeonato Brasileiro de 2015 com o Corinthians, publiquei um texto antes do confronto em Belo Horizonte entre as duas equipes. O título: ‘Na hora do vamuvê, Corinthians, eu sei que você treme’. Lembrava que, no ano anterior, o Galo ganhara o confronto por 4 a 1 nas quartas de final da Copa do Brasil. Aquela vitória abriria caminho para a conquista atleticana do título nacional de 2014, não sem antes mais um 4 a 1 – dessa vez, sobre o Flamengo – e um passeio diante do rival Cruzeiro, o Treme-treme® original da Estrela.


Pois bem, o Galo não ganhou o jogo em 2015 (levou de 3, em casa) e muito menos o título. De lá para cá, os jogos foram sempre muito disputados entre os dois alvinegros. Via de regra, com arbitragens polêmicas.


Em 2015, primeiro ano da gestão Daniel Nepomuceno, tínhamos um time considerado favorito a conquistas. Ficamos com o vice e com o gosto amargo de recorrentes injustiças durante o torneio. Em 2018, também temos um presidente debutando. É fundamental observar esse detalhe num futebol cheio de carta marcada, onde os bastidores garantem menor índice de erros da arbitragem. Fosse o futebol brasileiro algo confiável, os três últimos ex-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol não teriam sido banidos do esporte para sempre, pela FIFA. E um deles não estaria preso nos Estados Unidos.


Vale lembrar que, na conquista da Libertadores de 2013, Alexandre Kalil, macaco velho no futebol, foi até a Conmebol exigir arbitragem estrangeira no confronto com o São Paulo pelas oitavas de final.


Bruno Cantini/ Atlético
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É isso mesmo, RG: contra o Corinthians, para vencer de 1 tem que fazer 2


Em 2018, o Galo está longe de ser uma unanimidade quando analisados os candidatos ao título do Brasileirão. Até mesmo entre nós, torcedores, a dúvida é cruel. Numa pesquisa que fiz no Twitter ao final da segunda rodada, na vitória contra o Vitória, perguntei: 'para você, faltam a) 42 pontos para escapar do Z4; b) 69 pontos para levar o caneco'. Para 59%, a briga era contra o rebaixamento. Para 41%, éramos candidatos ao título. 661 pessoas responderam. Para uma torcida que não desistia das conquistas até o último segundo, que legitimou o mantra “eu acredito”, essa descrença mostrava um sintoma: o grupo dentro de campo não inspirava confiança.


O jogo de hoje, na vitória atleticana sobre o então invicto Corinthians, pode ter reacendido a chama de 2013/2014 no coração da torcida. A Massa carregou da arquibancada o time nas costas, que não deu folga nem para o visitante e nem para a arbitragem. O Galo foi o gigante de sempre, mesmo com um time e um técnico que carregam boa dose de desconfiança, ainda. E verdade seja dita: a compactação, triangulações e construção de jogadas estão de encher os olhos. Mérito de Larghi e de todo o elenco, que parece ter assimilado a proposta de jogo do seu jovem treinador. E que raça colocaram em campo!


No final das contas, mais um domingo normal no futebol brasileiro. A arbitragem nos prejudicou, a Massa empurrou. O Corinthians tremeu, o Galo ganhou. Simbora, Galo querido, que ano que vem nós vamos para o Japão.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

É de pequeno que aprendemos a carregar o nosso Galo com a garganta