Somos exportadores de commoditties: minério de ferro, petróleo bruto e jogador de futebol

Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Bremer saiu do Galo. Dos 5,5 milhões de euros da transferência, 60% vem para os cofres alvinegros. Róger Guedes, que estava no mostruário de Lourdes, também se foi e uma grana polpuda entrou: 2,5 milhões de euros. Saíram também Cazares, Yago e Otero. Esses, por empréstimo, mas não de graça. A carteira do Atlético ficou de dar inveja. Tem mais dinheiro na sede atleticana que no apartamento daquele ex-ministro. As fontes, claro, são bem diferentes. E o destino da bufunfa, também.


Acredito que parte da sacolinha que passamos no mercado vá exatamente para pagar os credores de outras transações. A cobrança feita pelo Huachipato chegou na FIFA e nos trouxe algumas dificuldades. Mesmo ainda cabendo recurso, a dona da Copa nos proibiu de contratar jogadores na próxima janela. Cá entre nós, o Gallo (diretor, note os dois l’s) deve ficar até satisfeito com isso. Já terá uma desculpa pronta em caso de não concretização das contratações necessárias: um camisa 10, um zagueiro para brigar pela titularidade e, talvez, mais um volante. É que além de Blanco, agora foi a vez do Adilson reforçar o departamento médico.


Faz total sentido um clube brasileiro ter em sua projeção financeira o lucro na venda de jogadores para o exterior. Incapazes de promover um aumento significativo de sua receita através de ações comerciais bem executadas, espetáculos melhores e gerar mais benefícios e valor para seus torcedores, para que esses possam consumir e contribuir com seu clube, adotam a mesma estratégia do Brasil enquanto player mundial: vendem a matéria prima. Somos exportadores de commoditties: minério de ferro, petróleo bruto e jogador de futebol.


A gestão do marketing no futebol do Brasil é uma piada! Os programas sócio-torcedor são medíocres – e o do Galo parece ser um dos melhorzinhos –, com uma gestão de insatisfação absolutamente tacanha (acessem o Reclame Aqui para terem uma ideia). A negociação dos direitos de transmissão beira o achincalhe. O Superesportes noticiou recentemente que ‘Chineses e fundos internacionais disputam transmissão, mas recuaram ao perceber que clubes não sabem bem o que fecharam com TV brasileira’. É de chorar, né não?


Que a turma recém chegada dê conta do recado. Estamos desclassificados de todos os demais torneios e só há o Brasileirão para colocar as fichas. Até o presente desmanche, estávamos na segunda colocação no torneio. Se a dinâmica é valorizar para vender, como diria aquele outro político, ‘tem que manter isso daí’.