Falta capitão no time do Galo

Eu já tratei sobre a falta de liderança no elenco do Galo em diversas ocasiões. Você poderá ler aqui uma delas. Sou um caboclo crente da importância de líderes positivos em equipes de alta performance. Dão exemplo, cobram os colegas e buscam as melhores e mais justas condições para seus liderados.


Assim como nas organizações, no futebol acontece a mesma coisa: a tarefa de capitanear uma equipe não cabe, necessariamente, ao melhor profissional. Às vezes, promovemos ótimos vendedores, designers, redatores, engenheiros... à condição de gestor e acabamos perdendo ótimos profissionais e ganhando péssimos líderes. No futebol, idem! Ter conhecimento do riscado é importante, ser um exemplo da técnica que se quer propor à equipe é muito bem-vindo. Mas só isso não basta. O exemplo do Galo é perfeito para entender o meu ponto de vista! Victor é o atual capitão alvinegro.


Na falha bisonha de Juninho, que acarretou o gol inaugural do Palmeiras, todo o elenco foi prestar solidariedade ao zagueiro. Victor, não. O Victor, goleiro, pode se dar ao luxo de culpar seu defensor por uma bola absurdamente perdida e que resultou no primeiro tento do adversário. Victor, o líder, haveria de acalmar e energizar o companheiro que tanto precisava de suporte.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

'Você ganhou o cara-coroa. Você fica com o lado do campo e com os três pontos'


O árbitro do jogo garantiu os três pontos dos donos da casa. Ao final do jogo, de cada 10 palmeirenses que fossem perguntados no estádio se acreditavam na vitória contra o Galo, 11 provavelmente diriam: um empate já seria lucro. Mas Péricles Bassols não se fez de rogado. Ao final do jogo, não só impediu um contra-ataque que poderia render a virada atleticana como deu uma falta inexistente que culminou no gol derradeiro do Palmeiras. Durante a partida, se muito, Victor se dirigia àqueles árbitros de linha de fundo, os que fazem papel de boneco de posto de gasolina, virando pra cá e pra lá. Depois do apito final, não teve sequer uma chamada à responsa de Victor no larápio de amarelo. Não há representatividade do capitão atleticano junto à arbitragem. Nossa voz não é percebida.


Victor é e será para sempre o maior goleiro alvinegro de todos os tempos. Colocá-lo na condição de capitão, contudo, me parece uma crueldade. Ele pode ser uma grande inspiração para todos e sua forma de contribuir deve ser essa, pelo exemplo de correção e de identidade com a Massa. Mas há que se trazer líderes e lhes dar a tarja. Precisamos de mais Léos Silvas, mais Révers, mais Josués, mais Fábios Santos, mais Ricardos Oliveiras... para impedir assaltos como os que vimos na noite deste domingo. E de mais força nos bastidores. E mais zagueiros, diga-se, para quando nada disso trouxer efeito.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético

'Cadê os meus zagueiro, Gallo?'