Pelo crescimento do time, a Primeira Liga agora é o campeonato do ano para o Galo

É engraçado pensar em como as coisas acontecem rápido no futebol. Há pouco mais de uma semana, o telefone de Oswaldo de Oliveira tocava com uma proposta instigante. Desde então, já houve tempo suficiente para o treinador chegar na Cidade do Galo e, à sua maneira, dar um novo estado de ânimo para a equipe. Em meio a isso, a final da Copa da Primeira Liga, diante do Londrina, chega em um momento imprescindível. 


Após a segunda troca de técnico em 2017, está claro que o foco não é uma equipe com grande padrão de jogo, que melhore demais a parte coletiva e corrija os vários defeitos atleticanos durante o ano. A solução imediata é mais motivacional do que tática, para impulsionar jogadores que estiveram em baixa - como Robinho, que fez uma partida inspirada no fim de semana, e voltou a marcar gols após mais de quatro meses -, e isso, embora traga uma perspectiva não tão animadora a longo prazo, é o necessário para o momento.



Em um país que, nesta temporada, há pouco para se ressaltar sobre equipes de bom futebol - infelizmente - e capacidade coletiva interessante, o projeto falho do Atlético se tornou apenas mais um dentre os vários que não engrenaram. Neste contexto, e sem querer defender ninguém - muito desse caos atleticano já foi explicado aqui -, Oswaldo pode ser a solução passageira, ao menos daqui até dezembro.


O que o elenco melhor pode fazer é se entregar a ele e deixar que as sensações do seu trabalho, neste intervalo que lhe é concedido, sejam as melhores possíveis. Pelo que foi visto na estreia contra o xará paranaense, os jogadores parecem estar dispostos a comprar essa ideia, ao menos em um primeiro momento.


Quando se busca vencer uma partida, muitos fatores influenciam para que um time esteja à frente de outro. Se, por um lado, a parte tática e organizada do Galo ainda busca um padrão mínimo - e até esteve bem em parte da estreia de Oswaldo neste sentido -, o psicológico dos atletas parece ser o ponto-chave a ser explorado nesta última cartada alvinegra.


Bruno Cantini/Atlético-MG
Bruno Cantini/Atlético-MG

Oswaldo de Oliveira já conseguiu reanimar alguns dos maiores ícones do atual time do Atlético: Robinho saiu do banco e fez dois gols no fim de semana


Em meio a um ano de tantas decepções e expectativas frustradas, fazer os jogadores se sentirem capazes de algo a mais, já nessa altura do campeonato, é algo a se valorizar. E, se o novo comandante atleticano se mostrar capaz de fazer isso agora, por que não apoiá-lo?


E, convenhamos: é hora de ter humildade e entender que, se a Primeira Liga antes era vista com certo desdém pelos torcedores, agora, vale como uma Copa do Brasil. Levando com seriedade, ganha o Atlético, ganha o elenco, e ganha a Massa. Afinal, ainda ter a possibilidade de faturar um troféu em 2017, mesmo depois de tudo o que tem acontecido e, de quebra, voltar a ver jogos mais elétricos, com a "cara" do Galo, será como a grande conquista do ano.