Seedorf: a escolha ousada do Atlético-PR

A negociação que vinha se arrastando durante os últimos dias ganhou ares de "fim" nesta quinta-feira (21). Apenas um anúncio oficial separa Seedorf do Atlético-PR, clube em que assumirá a função de "manager", comandando o time na beira do campo e também sendo o responsável pelos demais assuntos que envolvam o futebol do clube. Com todas as bases já acertadas após a visita do holandês às instalações do Furacão, tudo ficou mais do que encaminhado. 


O que preocupa, a princípio, é o excesso de poder para um profissional que jamais atuou como diretor/gestor. É claro que a influência de Seedorf pode trazer frutos muito positivos ao clube em termos de mercado e ações, porém desconhecemos a habilidade do ex-jogador financeiramente falando. Por outro lado, talvez o "peso" de alguém como Seedorf fosse exatamente o que faltava ao Atlético.


Getty
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Seedorf teve seu primeiro trabalho como treinador no Milan


Os últimos profissionais que por aqui passaram e tiveram, supostamente, liberdade para comandar o futebol foram frustrados pela falta de autonomia ou voz final nas decisões. Conhecendo a personalidade do novo contratado, sabemos que as exigências devem ter ficado bem claras e confio mais em sua habilidade (mesmo desconhecida) com a gestão de formação de grupo do que a de Mário Celso Petraglia. 


Como treinador, fica complicado opinar, mesmo que ele já tenha base para ser avaliado. No Milan, foi um dos vários técnicos a terem trabalhado em condições adversas. No caso dele, a pressão foi triplicada, visto que se tratava de um ídolo absoluto do clube que estava fazendo o primeiro trabalho como treinador de sua vida, saindo diretamente do campo para a prancheta. Por lá, o aproveitamente foi de 50% em 22 jogos. Depois, teve uma experiência na segunda divisão do futebol chinês, essa, sim, um pouco mais preocupante, com apenas quatro vitórias em 14 partidas. 



Seedorf teve seis meses acima das expectativas no Milan, mas foi demitido por bater de frente com Silvio Berlusconi, hoje ex-presidente do clube. Quando sucedeu Massimiliano Allegri, atualmente na Juventus, o técnico holandês abdicou o 4-3-1-2, esquema tático preferido do Berlusconi, e passou a trabalhar com o 4-2-3-1. O cartola não gostou da mudança tática e o demitiu em junho.


Com o 4-2-3-1, o Milan de Seedorf cresceu de rendimento e até chegou almejar uma vaga na Europa League. Porém, time milanês terminou o Italiano na oitava colocação. Vale destacar que após a chegada do ex-meio-campista, os rossoneri conquistaram 35 pontos, ficando atrás apenas da campeã Juventus nesse quesito. Os resultados não foram tão satisfatórios – 11 vitórias, dois empates e nove derrotas –, mas, não fosse a intromissão de Berlusconi, ele teria que ter ficado para a próxima temporada.


Charley Moreira, da VAVEL BRASIL e do AC Milan Brasil



Colocado tudo isso, é muito difícil opinar sobre o acerto ou não da decisão. Ainda desconhecemos questões salariais, porém é imaginável que os valores não assustem, uma vez que o holandês disse que planeja se projetar como técnico por aqui. Nos resta ficar de olhos bem abertos nas próximas semanas, quando poderemos começar a avaliar o trabalho de Seedorf como diretor, detectando seu perfil a apontando acertos/falhas. Por enquanto, é isso o que temos, torcendo, sempre, para que sua noção de jogo raríssima como atleta se repita na beira do campo. Porém, se tivesse que dizer se aprovei ou não a decisão, diria que a ideia me agrada muito. 


Boa sorte ao novo comandante!


Gazeta Press
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Seedorf busca, no Atlético-PR, consolidar sua carreira como treinador