O Furacão de Diniz e suas primeiras impressões

O Atlético-PR teve seu primeiro teste na temporada. Visto que a equipe que disputa o Paranaense é a batizada de "aspirantes", inclusive com um comando técnico diferente da principal, essa acabou sendo a estreia de Fernando Diniz, fator que chamou a atenção de muitos amantes de futebol, já que o treinador é conhecido por ter um perfil diferente dentro da realidade nacional. O empate em 0 a 0 com o Caxias, que classificou o Furacão na Copa do Brasil, teve suas imperfeições, mas já deixou as intenções da nova comissão técnica bem claras. 


E é importante destacar como, para assumir o Atlético, Diniz exigiu autonomia para comandar o futebol, visto que seu 3-4-3 foge bastante do padrão exigido por Petraglia em outrora, fator que levou à demissão de Eduardo Baptista. O novo treinador é tudo, menos convencional. E nesse caso não pode estar preso a padrões. 




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Fernando Diniz enfim estreou pelo Furacão


É óbvio dizer, conhecendo Diniz, mas não podemos deixar de apontar: seu jogo teve muito ênfase na troca de passes, que se passou principalmente por Raphael Veiga e Matheus Rossetto, os articuladores da equipe. Os extremos Jonathan e Carleto jogaram "cravados" ofensivamente, com Nikão, Guilherme e Ribamar rodando bastante na frente.


Sem a bola, não houve marcação pressão além da tentativa de retomada inicial: o time construiu linhas defensivas sólidas, passando para um 5-4-1, com Jonathan e Carleto compondo a linha de defesa. Nesse sentido, Guilherme e Nikão sofreram, com ênfase para o primeiro, que nunca precisou auxiliar tanto na defesa sob o comando de Fabiano Soares. 


Com a bola nos pés, o Furacão demonstrou paciência e viu seu jogo clarear aos poucos. No início, a insistência da construção lateral deixou as investidas previsíveis, mas, com o tempo, as esticadas de Rossetto e Veiga passaram a explorar outras formas de avanço. O que decepcionou, na maior parte do tempo, foi o trio ofensivo. Nikão, mesmo sem fazer nada digno de aplausos, foi o mais participativo, enquanto Guilherme, claramente desconfortável, e Ribamar, que empilhou chances perdidas, estiveram muito mal. 




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Bergson entrou bem na etapa final


No segundo tempo, Bérgson surpreendeu ao entrar em uma das pontas, na vaga de Guilherme, mostrando plena capacidade de jogar fora da função de nove. Os melhores encaixes de contra-ataque vieram graças a seu poder de fogo. Na zaga, a saída de bola não foi destaque, e inclusive o uso de três zagueiros se mostrou bem desnecessário na maior parte do tempo, sobrecarregando os interiores. No gol, Santos teve bons momentos, porém deixou bem claro que a bola deve ficar longe de seus pés. 


A pressão natural do Caxias, que precisava da vitória, acabou não se concretizando em chances, mostrando que Diniz manteve bastante cuidado para questões defensivas. Na frente, o time deixou de praticar a posse de bola como prioridade a partir da parte final do segundo tempo, tentando, através de contra-ataques bem construídos, matar o jogo, e só não conseguiu pela falta de capacidade de definição de seu centroavante. 


O Atlético-PR de Diniz, dessa forma, não realizou um jogo vistoso, e nem é razoável que se cobre isso, visto que estamos falando do primeiro teste do ano. Mas se defendeu com cuidado, mostrou poder de improviso e teve com Raphael Veiga a primeira grande atuação individual na temporada. Ainda é inconclusivo, mas estamos bem para um recomeço que envolve mudanças tão radicais. 




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Raphael Veiga orquestrou o meio-campo do Atlético