Furacão: vitória, volta da festa e muito a ser resolvido

A Arena da Baixada teve, até o momento, sua melhor noite no ano de 2018. A mobilização foi real, deu certo e empurrou o Furacão rumo ao triunfo diante do São Paulo pela Copa do Brasil. E foi interessante analisar o comportamento do torcedor diante de algumas situações adversas, mantendo apoio incondicional, algo que vinha sendo um problema recente das arquibancadas. Não tem segredo: ofereça boas condições e o apoio existirá. O ingresso acessível e a volta da torcida organizada permitiram uma festa incrível em nossa casa.


Fernando Diniz surpreendeu com sua escalação. Mantendo até então a equipe que tinha definido como "ideal" após a pré-temporada, o treinador promoveu suas primeiras mudanças mais impactantes no duelo desta quarta-feira, com as entradas de Lucho e Pablo nas vagas de Rossetto e Ribamar/Bérgson. 


A presença do primeiro se fez necessária por uma questão certamente observada por Diniz: a presença física. Rossetto e Veiga, atuando alinhados, representam muita qualidade de passe e dinamismo, mas pecam nos embates mais diretos com os adversários, gerando inegáveis carências. Com Lucho, que tinha um papel parecido com Fabiano Soares, essa questão melhora um pouco. Mas por que Lucho?


Seria mais razoável, seguindo essa linha, levar Pavéz para o meio-campo ou apostar em Camacho desde o início. Lucho, além de não oferecer nada de diferente com relação a criatividade, é uma substituição certa. Aliás, seu "retorno" para a atual temporada ainda é uma questão desprovida de sentido. 


Na frente, a entrada de Pablo é interessante pelo estilo do jogador, que conversa com o que Diniz esperaria em termos de produção e participação. Entretanto, sua escalação gera uma incoerência em termos de escolhas que será comentada mais adiante. 


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Pablo fez um importante gol, mas deveu muito em termos de produção


Mantendo o 3-4-3, o Furacão fez um primeiro tempo de muito controle de posse, porém com pouca inspiração. Duas questões principais incomodam e preocupam muito. A primeira é a falta de repertório na definição. A bola roda muito, com qualidade e sem desespero. Entretanto, a tentativa de levar perigo sempre acaba nos pés de Jonathan e Carleto, que cruzam.


A outra questão é o constante risco. Qualquer contra-ataque bem encaixado pelo adversário gera uma situação de "mano a mano". O que será um sofrimento diante de times que tenham jogadores mais velozes e com recurso de drible, o que matará Paulo André e companhia. O São Paulo, por sorte, não é esse time, visto que Nenê e Tréllez não aproveitaram as oportunidades que tiveram diante de apenas um marcador. O Ceará, adversário anterior, também não conseguiu. E teve campo pra isso. 


O gol do primeiro tempo, marcado por Pablo, veio de uma falha individual de Rodrigo Caio. O lance acabou salvando o primeiro tempo, que teve como virtude, reforçando, o controle de posse, que nunca foi tão eficiente, deixando o adversário inoperante. Ainda assim, mesmo com a vitória parcial, o jogo não era dos melhores por parte do Furacão. 


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Guilherme, assim como Nikão e Pablo, teve uma noite apagada em termos de criatividade. A titularidade de todo o setor ofensivo deve ser repensada


Jonathan foi substituído ainda no intervalo, gerando a tal incoerência. Diniz convocou 23 jogadores para a partida, sendo três centroavantes (Ribamar, Éderson e Bérgson). Porém, não utilizou nenhum dos três. Se a ideia era escalar Pablo por ali, como imagino que já estava certo na cabeça do técnico, levar vários atletas desnecessários para o jogo é um desperdício. 


E isso se justifica principalmente pela ausência de Diego, lateral que faz ótimo Paranaense pelos aspirantes e apresenta condições suficientes para ser substituto imediato de Jonathan. Que, como se sabe, apresenta problemas físicos. Sem ninguém que pudesse o substituir, a tarefa foi para Raphael Veiga, que fez um péssimo segundo tempo, sendo improdutivo no ataque e falho na defesa. Para a vaga de Veiga no meio, entrou Camacho, que foi bem na questão defensiva e de preenchimento de espaços, mas fraco no ataque. 


Paulo André fez o segundo gol do Atlético após uma cobrança de escanteio. E Diniz, assim como no jogo contra o Ceará, sofreu com a perda de jogadores por lesão e desgaste. Lucho foi o primeiro, substituído por Wanderson, e Paulo André veio depois, dando lugar para Zé Ivaldo. 


Se antes o São Paulo já apresentava uma melhora significativa, dominando cada vez mais as ações ofensivas, esse fator ficou mais claro depois das alterações. Que foram forçadas, como colocado. Porém, não deixam de ser escolhas excessivamente conservadores e que apontam falta de visão e pragmatismo. Como previsto, o São Paulo chegou ao seu gol (antes da saída de Paulo André), e só não marcou outro por falta de repertório, visto que teve bastante tempo e campo a sua disposição. 


O Atlético conquistou uma grande vitória em termos de importância, mantendo um tabu histórico diante do rival e levando uma vantagem tímida para o Morumbi. Pelo cenário da partida no segundo tempo, o resultado foi bom, mesmo que frustre um pouco. Há o que comemorar, mas, igualmente, o que corrigir. O progresso ainda é bem lento, mas acontece. Precisamos da classificação. 


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Fernando Diniz precisa reconhecer as falhas da equipe e buscar correção com certa urgência