Furacão: um título muito mais relevante do que parece

O título paranaense conquistado neste domingo (08) pelo Furacão é muito menos inocente do que parece. A constatação inicial, mais óbvia, está no fato de o time de aspirantes ter tido a melhor campanha geral e o melhor futebol de todo o torneio. Venceu com sobras o Paraná, concorrente de Série A, que jogava com o que tinha de melhor. E o Coritiba (também com força máxima), maior rival, com direito a um 2 a 0 conduzido sem maiores dificuldades na finalíssima, revertendo o placar do jogo de ida. 


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Possivelmente o melhor jogador atleticano no Paranaense, Bruno Guimarães comemora seu gol diante do Coxa


Isso aponta para quanto o Furacão está na frente de seus arquirrivais no sentido de organização e planejamento. Desde 2013 o Atlético-PR aposta no Estadual como um laboratório, deixando a equipe principal se preparar para as competições mais relevantes. E nunca essa fórmula deu tão certo quanto em 2018. Primeiramente pelo elenco, que é o mais talentoso e rico em opções dos últimos tempos. E, nesse sentido, o trabalho foi muito bem realizado entre os treinadores Fernando Diniz e Tiago Nunes. 


Marcinho e Matheus Anjos, por exemplo, começaram a temporada sob o comando de Diniz. Porém, sem tanto espaço, "desceram" para o time de Tiago e terminaram o Campeonato como titulares, agregando muito ao grupo. João Pedro e Bruno Guimarães, que tem talento de sobra para compor a equipe de cima, tiveram tempo e espaço para provar suas qualidades, algo que dificilmente aconteceria com tanta facilidade em outra situação.


Nomes já conhecidos e que estavam em baixa, como Éderson e Léo Pereira, mostraram que ainda é possível confiar neles. O primeiro, em especial, fecha a competição como artilheiro e a famosa "cereja do bolo", na final, com um gol de calcanhar sobre Wilson. 


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Muito identificado com o Furacão, Éderson deu um "bom problema" para a diretoria: seu contrato de empréstimo termina em breve


O Atlético vem trabalhando com a ideia de ter duas equipes diferentes comandadas por duas comissões diferentes, com trabalhos autônomos e independentes. Porém, algo que é compartilhado moderadamente é estilo de jogo, que visa a imposição de seu ritmo sobre o adversário, sem apelar para a retranca ou um jogo sem personalidade. Mesmo com suas claras diferenças, Diniz e Tiago puderam aprender um com o outro nesse início de temporada. 


O Furacão chega ao final de um ciclo vitorioso que, esperamos, é uma introdução para um ano que nos reserva boas expectativas. Nunca tivemos tanta coisa em mãos: elenco forte, jovens de muita qualidade e dois cérebros intelectualmente privilegiados na beira de campo. Além da supremacia local, não só levando em conta a conquista recente, mas os quilômetros de distância na questão de planejamento em comparação com outras equipes do Paraná. Até porque, desde que voltou para a Série A, em 2013, o Atlético-PR vem se tornando cada vez mais competitivo, com uma melhoria gradual e visível.


Não vamos nos apoiar em conquistas: 2018 pode ser um ano maravilhoso mesmo que não ganhemos mais nenhum título. Obviamente esperamos o contrário, porém, nada é mais importante, no momento, do que uma boa sintonia de trabalho, um estilo de jogo diferente e expressivo, como estamos observando, e uma melhoria (que já começou) no relacionamento entre torcida e diretoria. Já temos muito o que celebrar.


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Deivid, jogador com mais tempo de casa no atual elenco, levanta a taça do Campeonato Paranaense