Mesmo sem a vitória, Furacão se mostra muitíssimo competitivo

A última semana do Clube Atlético Paranaense era algo que instigava a curiosidade dos torcedores, da imprensa, de cornetas e dos amantes do futebol no geral. Afinal, após as grandes vitórias sobre Newell's e Chapecoense, era a hora de passar por dois testes ainda mais complicados: São Paulo, no Morumbi, na primeira grande decisão do atual elenco, e Grêmio, no confronto direto diante do melhor time do Brasil na atualidade, que ainda teria o benefício de jogar dentro de sua casa. 


No meio da semana, a grande notícia esteve no poder psicológico dos comandados de Fernando Diniz, que demonstraram frieza e concentração para superar uma situação de muita dificuldade e sair com a classificação. Contra o Grêmio, o desafio estava em neutralizar uma equipe que iria dificultar ao máximo o nosso jogo através de alto desempenho tático e técnico. E foi um pouco mais complicado. 


Gazeta Press
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Comandante ofensivo, Pablo sofreu para criar oportunidades


A saída de bola deu mais sustos do que de praxe, especialmente com um erro de Santos logo no início, que resultou em uma finalização no travessão. O Grêmio pressionava de forma ordenada, sem desespero, oferecendo risco constante. Ainda assim, mesmo neste cenário adverso, foi edificante acompanhar um time que insistiu em não abandonar sua característica, conseguindo praticar um jogo de posse bem estruturado em 95% do tempo. 


O jogo encantou especialmente por apresentar duas equipes que não abdicaram da sua forma de jogar: ambas tiveram mais de 500 passes corretos, com o domínio de posse se invertendo constantemente: o Atlético geralmente esteve acima na faixa inicial e central do jogo, mas o Grêmio teve muito domínio no último terço do tempo, especialmente depois da expulsão de Camacho, que recebeu dois cartões bobos.


Outro fator que deixou os gaúchos em posição de superioridade foram as chances criadas, fato que tornou Santos o melhor jogador do Atlético em campo, tendo feito grandes intervenções, exercitando reflexo e posicionamento e não deixando dúvidas quanto a sua titularidade. 


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Santos teve grande atuação na Arena do Grêmio


Outros destaques positivos foram Rossetto, que parece ter assumido de vez a titularidade como ala pela direita, oferecendo uma participação mais dinâmica na comparação com Jonathan, além de não nos deixar na mão por conta de questões físicas e de se esforçar para melhorar cada vez mais sua parte defensiva. Vale ressaltar, também, Nikão, que se movimentou muito e participou da construção de jogadas o tempo todo, não ficando preso, e Guilherme, que também ofereceu o mesmo, porém com menos intensidade e menos tempo em campo. Bruno Guimarães, que jogou a maior parte do segundo tempo, acertou 94% dos passes e transitou com muita naturalidade.


Negativamente, é impossível não voltar a citar Lucho, que errou mais passes do que deveria (índice de acerto de 74%). Tal fator poderia ser justificado por ações criativas, de maior risco de erro, mas não foi assim. Além disso, ele não contribuiu bem defensivamente. Outro problema vem sendo Carleto, que tem baixíssimo índice de acerto em ações ofensivas, desperdiçando muitos cruzamentos. Na defesa, ao menos, ele vem se esforçando. Ainda assim, Renan Lodi está de olho. 


O Furacão fez frente diante da melhor equipe do futebol brasileiro, sofrendo com alguns erros pontuais, mas mantendo seu estilo e tendo mais notícias boas do que ruins. É muito bom ver tudo isso acontecendo por aqui.