O que Fernando Diniz precisa repensar para as próximas partidas?

A derrota diante do Palmeiras, antes de ser algo genuinamente negativo, também deu margem para algumas observações que não são necessariamente maléficas. Visto que, em essência, o sistema de Fernando Diniz continuará sendo praticado e, esperamos, evoluindo.


Evoluções, essas, que já podem ser observadas na comparação com o início de trabalho, especialmente no que diz respeito a defesa. Algo irônico de se apontar após os três gols sofridos no final de semana, porém, não deixa de ser verdadeiro: muitas das falhas apontadas lá no início de trabalho já foram parcialmente corrigidas.


Algo colocado após o jogo diante do São Paulo, na Arena da Baixada, era que os comandados de Diniz teriam grandes dificuldades ao enfrentar algumas equipes que tivessem jogadores diferenciados em situação de contra-ataques. Mesmo tendo corrigido buracos, conhecemos o Palmeiras de Roger Machado, com Dudu e Keno, e agora podemos trabalhar correções pensando em um nível de exigência mais elevado. 


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Derrota para o Palmeiras pode ter sido um "choque necessário"


Olhando para a retaguarda, temos um goleiro que vem se provando cada vez mais, sendo, inclusive, nossa única certeza no setor. Pávez se encaixou bem em uma nova função, porém algumas de suas subidas para o campo de ataque ainda soam irresponsáveis e problemáticas na recomposição. Entretanto, em termos de desempenho, ele não nos deve muito.


O contrário pode ser dito de Thiago Heleno, que não colabora de forma destacada para a produção ofensiva e tem se demonstrado falho nos desarmes e nas coberturas. O que permanece é o bom jogo aéreo e a saída de bola operante. Muito pouco. Zé Ivaldo, que apresenta cada vez mais tranquilidade na execução do "sistema Diniz", além de aliar velocidade rara para um jogador da posição com força e jogo aéreo, precisa de mais minutos. 


Paulo André, ainda não mencionado, tem se saído levemente melhor que o "General", porém também enfrenta problemas, especialmente no que diz respeito a cobertura e velocidade, já que tecnicamente continua sendo um bom valor. 


Do "meio pra frente", cada vez mais parece que precisamos discutir a escolha das peças do que o sistema em si. É necessário, nesse sentido, resgatar o jogo diante do Newell's. As laterais, além de serem geradoras da amplitude para a criação de espaços, tem aparecido como ponto importante de criatividade. E, nesse sentido, quando a bola chega em Thiago Carleto, observamos alguém incapaz de fazer qualquer tipo de infiltração ou alguma jogada que não seja um cruzamento. Seus cruzamentos, aliás, tem sido pouquíssimo efetivos. 


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Carleto tem sua titularidade cada vez mais questionada


Na partida contra os argentinos, Lodi teve o corredor esquerdo a sua disposição e mostrou exatamente o que precisamos: repertório. Infiltração, dribles e, claro, bolas jogadas na área. Carleto pode ser um bom cobrador de faltas, mas, de resto, perde em tudo para seu concorrente.  


Do lado direito, Matheus Rossetto, apesar de algumas falhas pontuais, vem se adaptando bem na função. No meio, Camacho é uma peça que oferece boa presença física, qualidade de saída de bola e drible, algo que não se esperava de início. Seu companheiro, porém, é a antítese. 


O retorno de Lucho ao Atlético como uma simples peça de reposição já não fazia muito sentido. Não tanto pela sua atual qualidade (ou ausência dela), mas pelo número variado de opções, o que inclui jovens promissores, como Bruno Guimarães, Rossetto e até mesmo Guilherme Rend. O que não se esperava era que, além de retornar dos mortos, Lucho se tornou titular de Diniz. 


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Próximo desafio de Diniz é diante do Newell's, defendendo a vantagem construída na Arena da Baixada


Tirando a lucidez de sempre no que diz respeito a dinâmica de jogo, Lucho falha no tempo de marcação, erra nas tentativas de passe mais incisivas (quando tenta, o que é raro) e é uma substituição certa. Diniz há de ter intelecto suficiente para corrigir essa questão o quanto antes.


Na frente, Bérgson pede passagem após a geladeira que recebeu por motivos ainda desconhecidos. É a opção mais "ousadia", no sentido mais puro da palavra. Pablo, Nikão e Guilherme, por mais que tenham qualidade e estejam adaptados ao sistema, não conseguem tirar a impressão de, em vários momentos, estarem engessados. É necessário uma ou mais peças de diferenciação, que quebrem o gelo ofensivo. No momento, arriscaria sacar Nikão, abrir Pablo para os lados e tentar a entrada de Bérgson. Para um futuro próximo, Matheus Anjos também merece testes. E João Pedr....ops. 


Apesar da primeira derrota, o balanço atual do Furacão é positivo, com uma forma de jogar diferente, bem executada e que depende de algumas mudanças para funcionar com mais êxito. O que não pode é insistir no que não vai dar certo. E já temos alguns jogadores destinados e perderem um pouco de espaço na rotação. Basta enxergar.