Urgente: Furacão precisa aproveitar o seu elenco

Fernando Diniz se apegou a uma escalação. Que, com todos saudáveis/disponíveis, é: Santos, Pavéz, Thiago Heleno, Paulo André; Rossetto, Lucho, Camacho, Carleto; Nikão, Guilherme, Pablo. O que já deu certo em alguns momentos, mas começa a apresentar fraquezas e cair na previsibilidade. Hoje, contra o Newell's, entramos em campo tendo ciência de que a chance de sofrer, mesmo com a vaga na mão, era alta. E assim foi. 


Virou padrão dizer que Thiago Heleno é prejudicado pelo esquema e vem, por conta própria, se prejudicando já há um tempo. Também, apontar que Lucho atrasa o andamento das ações ofensivas, tem a tendência a dar entradas violentas sem necessidade e, defensivamente, abre muitas brechas. E que Nikão e Guilherme, quando tem a posse, dificilmente transformam a ação ofensiva em criatividade. Além de Carleto, que hoje não jogou, mas não por opção (estava suspenso).


Se a torcida, no geral, já percebeu tudo isso, Fernando Diniz deveria ter notado muito antes. Há uma resistência estranha do comandante quanto a mudança de peças, que é justamente o que o Atlético necessita para respirar um novo ar, visto que o esquema tático, por enquanto, não apresenta grandes falhas, inclusive tendo melhorado desde o começo do ano. 


O Atlético fez grandes esforços para contar com Raphael Veiga e Bérgson, por exemplo. O primeiro, após começar a temporada como titular, foi para o banco sem motivo aparente e, desde então, praticamente sumiu na rotatividade. Já o segundo, artilheiro isolado da última Série B, também parece ter sido esquecido. Nesse caso, comenta-se que existiram problemas internos, porém nada concreto. 


Gazeta Press
Gazeta Press

Raphael Veiga entrou no segundo tempo diante do Newell's, na vaga de Guilherme. Após começar a temporada como titular, o meia perdeu espaço repentinamente para Lucho González


Enquanto isso, alguns titulares, como os já citados, parecem ter carta branca dentro do time, fator que gera acomodação, visto que uma ameaça real não é sentida. Ao abrir espaço para novas possibilidades de escalação, também cria-se um senso de preocupação dos principais nomes do elenco para assegurarem suas vagas, algo que é de extrema necessidade dentro de um clube de futebol. 


O Furacão perdeu de 2 a 1 para o Newell's, na Argentina, vendo, em dado momento, sua vaga quase escapar, já que os mandantes estavam a um gol de levar a partida para os pênaltis. O time teve pouquíssimas ações ofensivas no jogo e, mesmo enfrentando um adversário com muitas fragilidades criativas, se viu empurrado no campo de defesa em determinado recorte do segundo tempo. O gol de Nikão, após boa jogada de linha de fundo de Renan Lodi, foi o respiro em um momento que estávamos prontos para buscar a bola no fundo das redes mais uma vez. 


Algo misterioso acontece no Furacão, que impede que as coisas caminhem em sintonia. Nesse momento, é urgente repensar nas peças do elenco, visto que, ao deixar jogadores importantes de lado, há o risco real de perdê-los para outras equipes que estejam minimamente atentas. Se Fernando Diniz tem confiança em seus titulares, que praticam seu sistema da forma como é treinado, é hora de reavaliar o rendimento individual, e não o coletivo. Ao contrário dos tempos de Audax, por exemplo, agora temos um elenco vasto e pronto para ser utilizado. Jogadores como Raphael Veiga, Matheus Anjos, Bérgson, Renan Lodi e Bruno Guimarães não são "pouca coisa". 


Gazeta Press
Gazeta Press

Fernando Diniz precisa repensar seus titulares para as próximas decisões