Trabalho de Fernando Diniz desaba no Atlético-PR

Oito jogos sem vencer, com uma sequência de cinco derrotas seguidas. É oportunista resumir futebol a números sem observar a execução dentro de campo, porém, nesse caso, os dados gritam. E conversam com tudo o que não vem funcionando na equipe de Fernando Diniz. Hoje, na derrota de 2 a 0 para o Fluminense, o Furacão, além de ter convivido com os mesmos problemas de sempre, voltou, assim como na derrota para o Cruzeiro, a não fazer referência alguma ao estilo de jogo tão apreciado que vimos no início de trabalho.

A impressão que se passa (e espero ser calado de alguma forma) é de que Diniz cultua o futebol bem jogado, com troca de passes, saída de bola e produção ofensiva, mas não faz ideia de como colocar isso em prática da maneira como deveria. Sua equipe, mesmo nos melhores momentos, dificilmente criou algo sem que o jogo estivesse concentrado pelas pontas. E, assim, boa parte dos gols do Atlético no trabalho do treinador vieram de cruzamentos e contra-ataques. O que não é exatamente um demérito dentro do futebol, porém, obviamente, acusa para a falta de repertório.


Gazeta Press
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Uma ideia interessante, mas que soa inflexível e não sai do lugar. Diniz não consegue fazer o time evoluir


Além da questão criativa, é importante apontar como o ataque palmeirense, no dia 6 de maio, destruiu a evolução defensiva que começávamos a acompanhar no trabalho de Diniz. Até aquele momento, o time, após passar por alguns sustos e situações de muito risco, fez um trabalho considerável para melhorar a recomposição defensiva, com uma linha de cinco que apresentava boa sintonia, além de um meio-campo que se acostumava mais com os pedidos do treinador e tentava, na medida do possível, frear contra-ataques adversários. Depois do jogo mencionado acima, parece que estamos acompanhando uma avalanche de momentos bizarros que indicam que o técnico não estava pronto para perder uma partida ou trabalhar em cima de falhas. Tudo piorou.


No jogo de hoje, o Fluminense construiu ambos os seus gols em contra ataques, com uma facilidade constrangedora. O espaço na frente da área atleticana que permitia um churrasco com mais de cem convidados, obrigou os zagueiros (sendo um deles CARLETO!!) a deixarem suas posições para tentar interceptar, o que, evidentemente, libera espaços. Além disso, o número de invencionices prejudica o entrosamento para uma eventual linha de impedimento, algo que pode ser visto especialmente no segundo gol dos donos da casa no Maracanã.


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Volta de Pablo para o comando de ataque foi um dos acertos do trabalho de Diniz


 As escolhas questionáveis do treinador já foram apontadas por aqui, seja hoje ou em textos anteriores, porém é bom reforçar. Não há justificativa plausível para Lucho ter se tornado titular absoluto, para Carleto ter virado zagueiro e para Ribamar, que não reúne condições de jogo, seguir sendo importante na rotação. Posso estar errado e estar diminuindo um futuro craque, e espero que sim, mas até mesmo Bill, que chegou esses dias para o time de aspirantes, ganhou uma chance e entrar no time, enquanto João Pedro voou para o Rio de Janeiro depois de ser sabotado.


Dito tudo isso, é importante apontar que, atualmente, o Atlético é uma das equipes que menos produz e uma das que mais sofre finalizações em todo o campeonato, fazendo de Santos o grande destaque do time no Brasileirão. É óbvio que haverá apoio independente da decisão, e, dentro disso, é provável que Diniz permaneça, porém não parece fazer sentido manter um profissional que, com muito mais tempo de trabalho/treinamento na comparação com qualquer outro técnico do país em 2018, não conseguiu preparar seu time da forma que deveria. E parece bem longe disso. Que algo aconteça e tenhamos uma virada de mesa o mais rápido possível, seja com ou sem Diniz.