Marcelo Cirino de volta ao Furacão: faz sentido?

A trajetória de Marcelo Cirino não foi exatamente a que o atleta esperava. Nem o que o Furacão imaginava quando o vendeu, em 2014. Ambas as partes vislumbravam a Europa, com sucesso internacional para um e retorno financeiro para o outro. A expectativa se confirma através dos detalhes da negociação que levou o atleta ao Flamengo. Na época, o Atlético-PR, mantendo os direitos federativos do jogador, negociou apenas 50% dos direitos econômicos para o rubro-negro carioca, ficando, assim, na espera de uma grande venda no futuro.


A carreira de Marcelo não tem acontecido da maneira que se desenhava. Porém, está longe de ser um fracasso. Mesmo tendo provavelmente mais "baixos" do que "altos", o atacante esteve atuando constantemente pelo Flamengo, somando 97 jogos e 23 gols em duas temporadas e mais algumas partidas de 2017, antes de sair para o Internacional. No clube gaúcho, onde chegou para jogar a Série B, teve pouco tempo e logo foi repassado para o Al-Nasr.


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Pelo Inter, Marcelo Cirino marcou um único gol em onze partidas


Nos Emirados Árabes, Cirino atuou mais vezes como referência, terminando sua passagem com 14 gols em 26 partidas. O direito de compra acabou não sendo exercido por motivações financeiras, uma vez que o Al-Nasr alegou que o valor (não divulgado) era muito alto. 


Aos 26 anos, Marcelo estará livre do contrato com a equipe de Dubai no dia 30 de junho, podendo voltar ao Furacão, que, reforçando, é dono de seus direitos federativos. O jogador passa férias no Paraná e aguarda uma definição para o futuro, já tendo revelado que gostaria de voltar ao clube que o revelou. Depois de viajar pelo Brasil e ter uma boa participação em outro continente, seria válido recebê-lo de volta?  


O Atlético-PR pode ter muitas opções ofensivas. Entretanto, são raras as que contam com a velocidade como uma característica forte. E Marcelo, mesmo não sendo um jogador de grandes dotes técnicos, poderia ajudar. Caso o esquema de Diniz, o 3-4-3, se mantenha, ele tem a possibilidade de atuar tanto pelo lado direito quanto centralizado, dando uma opção de contra-ataque que atualmente não existe. E, como a atual formatação tática não tem "pontas", mas sim jogadores mais flutuantes em frente a área, seria o ideal para Cirino, que nunca rendeu muito nos extremos. 


Em 2012, por exemplo, seu melhor ano em números, ele foi segundo atacante no esquema de Ricardo Drubscky. Com Mancini, no ano seguinte, também atuou com uma dupla, dessa vez ao lado de Éderson, sendo a válvula de escape, ao lado de Éverton, em uma esquema tático que priorizava os contra-ataques. Nesse ano, foi um dos principais nomes do Campeonato Brasileiro. Já em 2014, seu futebol ficou em menor evidência justamente no esquema 4-2-3-1, em que ele se tornou um ponta. 


A volta de Marcelo Cirino provavelmente não elevaria o patamar do Furacão, porém pode ser vista com carinho pelos dirigentes e pela comissão técnica, principalmente pelo fato de o jogador oferecer características que estão em falta no elenco, além de ter um histórico clínico muito positivo, sem grandes episódios de lesão. Nunca foi craque, mas sempre foi útil, acima de tudo. E pode se reencontrar por aqui. 


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Marcelo Cirino comemora gol pelo Campeonato Brasileiro de 2013