Arrogância, teimosia e o fim iminente de Fernando Diniz

Na vitória de 2 a 0 contra o Santos, vimos, de forma escancarada, algo que vinha se confirmando aos poucos nas últimas apresentações do Atlético-PR: o time, na maioria esmagadora do tempo, só cria situações de gol a partir da bola parada e dos cruzamentos de um jogador que é apenas mediano. Diante do América-MG, isso se confirmou ainda mais. E, caso alguns ainda não tenham entendido, irá continuar acontecendo enquanto Fernando Diniz estiver na beira do gramado. 


Não há como se opor a ideia de jogo de Diniz. Ou pelo menos àquilo que ele considera como correto dentro de um campo de futebol. O que o treinador tenta imprimir é um jogo de posse bem estruturado, em que exista domínio e controle de ritmo de quem tem a bola na maior parte do tempo. Por isso é importante deixar claro: não existe oposição a linha ideológica do profissional, nem qualquer tipo de conservadorismo de quem acha que futebol é ligação direta e contra-ataque. Muito pelo contrário. O problema principal, no fim das contas, é que Fernando Diniz não é um bom treinador. 


Desde o início, a dificuldade na execução de um bom jogo defensivo já havia ficado clara, especialmente no desastre daquela "histórica" partida contra o Tubarão, pela Copa do Brasil. Depois daquilo, pareceu haver uma correção, visto que o time teve alguns jogos de maior solidez na retaguarda. Ainda assim, em diversos momentos, a sensação passada foi a de estar entregue ao acaso. Contra Ceará e São Paulo, por exemplo, pela Copa do Brasil, foi assustador o número de contra-ataques entregues com campo aberto em que os adversários não tiveram eficiência para concluir. 


O esboço de uma melhora acabou desabando após a primeira derrota, contra o Palmeiras. Desde então, pudemos acompanhar os sintomas mais graves de tudo o que estamos passando. Na ocasião da derrota para o time de Dudu, Keno e Willian, comentei que tal resultado poderia gerar consequências positivas pelo fato de o nível de exigência defensiva aumentar nos treinamentos. 


Gazeta Press
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A ideia de Fernando Diniz definitivamente não deu certo


Mas é aí que começa a batalha de Fernando Diniz contra suas convicções furadas. Suas tentativas de correção sempre levaram o time a um buraco ainda mais fundo, com improvisações sem sentido e nenhum sinal de que a formação tática poderia ser alterada. Já estamos acostumados: o Atlético, após perder a bola, sofrerá com uma recomposição horrorosa, oferecendo espaços gigantescos em um lance que ou acabará com a bola na rede ou ao menos com perigo de gol. 


Porém, isso tudo poderia ser "apenas" uma questão a ser resolvida caso o time estivesse produzindo ofensivamente. E aí voltamos para a "Carletodepência". O lateral-esquerdo é responsável pela participação direta em quase 50% dos gols da equipe. O que obviamente não é culpa dele, claro, e sua colaboração é louvável mesmo que, como jogador de futebol, ele não seja tão bom quanto como cobrador de faltas e escanteios. O problema é outro. 


Analisando a construção ofensiva, é interessante notar, pegando um exemplo do jogo contra o América-MG, como a execução de Diniz não faz o mínimo sentido. O time passou a depender de bolas longas vindas da zaga, especialmente com Wanderson e Thiago Heleno, para construir chances. O melhor momento da última partida, com exceção do gol de falta, foi justamente em um lance que Wanderson, desmarcado, avançou e deixou Pablo na cara do gol. Ou seja: seis meses de trabalho para que Wanderson seja nosso garçom, visto que o meio-campo é estéril e o ataque, com Guilherme e Nikão, só consegue criar quando tem muito espaço. O Atlético Paranaense, no campo de ataque, cruzará a bola. Sempre. Uma estratégia que não é nada diferente do que Fernando Diniz abomina como um futebol "sem estética".


Em resumo, temos aqui um time que não funciona no setor de criação e muito menos na defesa. Treinado por alguém que se recusa a aceitar os erros de seu trabalho, insistindo na mesmas opções e sem aproveitar um elenco numeroso, para depois de tudo ir até os microfones e dizer que está gostando do que vê, mesmo após partidas vergonhosas. E tempo de trabalho não faltou, visto que Diniz teve mais espaço de treinamento do que qualquer outro treinador do Brasil no ano. 


E, o pior de tudo, é que ele parece ter carta branca da direção. Seja da forma que for, esperemos que alguém tenha a capacidade de enxergar o que está acontecendo. Ou, melhor, o que não está acontecendo.