Sem atropelar etapas, Tiago Nunes comanda reação do Atlético-PR

Tiago Nunes não queimou etapas. Após um ótimo Campeonato Paranaense com a equipe de aspirantes do Atlético-PR, o treinador recebeu sondagens para deixar o clube, algo que soava plausível para ele, visto que, até aquele momento, Fernando Diniz parecia prestigiado, tinha muita moral com a diretoria e um planejamento duradouro no clube.


Por sorte, o plano Diniz foi derrubado na pausa da Copa, fazendo com que a temporada ainda pudesse ser salva a tempo. A situação de tabela é complicadíssima pela herança do ex-treinador e suas invencionices, mas, rapidamente, observamos um processo virtuoso e calmo de um técnico que parece extremamente ciente do que pode e deve fazer.


Suas alterações no time foram sutis. A posse improdutiva ainda apareceu no jogo diante do Cruzeiro, pela Copa do Brasil, na estreia de Tiago. Foi difícil eliminar esse aspecto ou aperfeiçoá-lo em tão pouco tempo, o que dá a entender que o planejamento era o outro. A parte defensiva da equipe estava um caos, sem nenhuma organização ou lógica razoável. E o trabalho começou por aí.


Tiago reorganizou a equipe com uma linha de quatro básica, apostando na entrada de Renan Lodi e na continuidade da zaga. E, nesse ponto, é interessante notar como suas pinceladas na equipe, no que diz respeito a escolhas, foram suaves. É claro que a ocasião que levou a titularidade de José Ivaldo e Léo Pereira (sua dupla no Paranaense) no jogo contra o Peñarol, no Uruguai, tem muita relação com as lesões de Thiago Heleno e Paulo André. Mas como será quando eles voltarem? Wanderson, por exemplo, já foi para o final da fila.


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Tiago Nunes reorganizou o Furacão


Enfim. Tiago prezou, a princípio, pelo trabalho na base da equipe, mesmo em uma situação em que havia a necessidade de resultados imediatos. A saída de bola com o apoio do primeiro volante, que se posiciona entre os dois homens da defesa da fase inicial da construção deu certo, seja com Bruno Guimarães ou Lucho. Assim, a equipe não demorou para corrigir um problema grave, porém ainda sofreu na questão de repertório, que não era a prioridade. Os melhores exemplos são os duelos contra Cruzeiro e Internacional no Brasileirão: vantagem, bom futebol e incapacidade de jogar bem estando a frente. Precisava melhorar.


Então veio a sequência de duelos determinantes. Tiago Nunes começava a encaixar peças, as suas favoritas, também ofensivamente. Marcinho começou a aparecer entre os titulares, Veiga e Bruno Guimarães, pouco notados por Diniz, ganharam sequência, Marcelo se tornou titular e Pablo ganhou uma função diferente, sendo um centroavante que olha mais para trás do que para frente.


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Bruno Guimarães, Marcinho e Veiga ganharam sequência sob o comando de Tiago


A vitória contra o Peñarol na Arena da Baixada teve uma produtividade em alta escala com uma equipe sóbria e mantendo o controle do jogo mesmo com vantagem e até com um jogador a menos durante uma fase da partida. Depois, contra o Vitória, novamente muita criatividade, com uma variação ainda mais interessante na construção ofensiva, que resultou em uma goleada. Diante do Corinthians, controle em diferentes momentos do jogo mesmo enfrentando um time de forte ritmo em território hostil. E, por fim, um triunfo decisivo fora do país diante do um adversário que, embora não seja tão qualificado, é tradicionalmente amedrontador em seus domínios.


O novo Furacão tenta ser direto em suas ações e cauteloso na retaguarda, priorizando a segurança. Há pontos a serem melhorados, entretanto não é difícil observar o progresso gradual do trabalho de um profissional sério, que parece ter controle do que faz e não carrega vaidades ou teimosias. O ano ainda promete grandes emoções, mas é difícil imaginar alguém mais qualificado para nos tirar da lama no Brasileirão e quem sabe sonhar com algo grande na Sul-Americana.