Empate de ouro: Messi não vai salvar sempre

Por mais que seja ameaçador enfrentar o Chelsea no Stamford Bridge, até que o começo foi animador para o Barcelona, pois o adversário foi mal escalado na primeira etapa. O técnico Antonio Conte errou ao não colocar um centroavante e ao afastar Hazard de sua melhor arma de ataque, a ponta esquerda.

Por sua vez, Valverde desta vez não inventou, colocou o que de melhor tinha para jogar fora de casa e manter uma equipe sólida, com Paulinho na vaga em aberto no meio campo. A posse de bola do Barça foi excelente, parecia controlar bem o jogo, mas erros individuais e a falta de pegada quase fizeram os Blues abrirem o marcador. Especialmente Rakitic, Paulinho e Iniesta foram muito mal na primeira parte e deram chances para Wiliam criar três chances espetaculares: sofreu falta perigosa que Alonso chutou fraco e deu dois chutes maravilhosos nas traves de Stegen.


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Wliam deu muito trabalho e foi o melhor da partida


Outro detalhe fundamental para o 0 a 0 na primeira etapa foi o excessivo respeito do Chelsea com a camisa do Barça, marcando atrás da linha do meio campo, vigiando Messi sempre com três marcadores, proporcionando também a falta de efetividade de ataque do clube culé. Busquets e Messi até tentaram, fizeram lindas parcerias, mas o camisa 10 tinha que fazer tudo sozinho e acabava sedo bloqueado. Alba estava bem vigiado por Moses, e Suárez não se encontrava preso entre os zagueiros. Assim mesmo, Messi tirou um coelho da cartola, achou Paulinho livre para cabecear na área, mas o brasileiro desperdiçou um gol feito.

Na volta do intervalo o cenário era óbvio, o Chelsea teria que se arriscar mais para conquistar a vitória, enquanto que o Barcelona teria que encontrar outras formas de atacar, ao invés de "só" cozinhar, até porque o clube catalão não deu sequer um chute a gol. Nem um sequer! A incrível dupla Messi-Suárez fez pouco, Iniesta não produzia, Paulinho parecia sem confiança e Sergi Roberto não podia subir tanto para não abrir espaço em suas costas. Esse era o jogo de xadrez. Valverde teria que manter esse chove-não-molha rezando por um empate ou uma vitória milagrosa em algum lance de Messi, ou arriscar colocando Dembélé (era o que eu imaginava que entraria) para ameaçar mais o clube inglês.

E o que aconteceu na segunda etapa?

O Barcelona precisou sofrer um gol para Valverde acordar e o time mudar de atitude. Wiliam, o melhor em campo nesta partida de ida, achou mais um super chute e abriu o placar. Em seguida, Paulinho foi corretamente sacado para Vidal entrar na direita. A marcação subiu, a pegada aumentou, mais conclusões apareceram e em um erro da zagam Iniesta interceptou, penetrou na área e serviu Messi, que matou mais um tabu colocado a sua frente. Um chute a gol do melhor do mundo, um gol.


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Um gol de ouro de Lionel Messi


A realidade do Barça é que o "time ideal" não existe mais e não dá mais para ficar achando que Messi vai salvar sempre com um lance genial. Às vezes o Barça abre o placar dessa forma e constrói vitórias enganosas, assim foi com o esta mesma escalação contra o Real Madrid no Bernabéu e no último sábado contra o Eibar.


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Tem que comemorar muito esse gol


O resultado final acabou sendo excepcional, mesmo com os 70% de posse de bola. O Barcelona não pode escalar Coutinho e vai ter que encontrar outras maneiras de criar mais chances de gol. Quanto melhor os oponentes, quanto mais se avança nessas competições, mais as defesas se matam para anular Messi, portanto, é hora de dar mais sustentação ao argentino e ao urguaio.

Na minha visão, é hora de apostar tudo em Dembélé. Coloquem o moleque pra jogar, até o jogo de volta haverá tempo suficiente para uma formação ofensiva embalar e atuar com mais criatividade e mais variações de jogadas. Não dá pra ficar contando com uma vantagem tão pequena, é preciso evoluir para pensar em ser campeão.

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