Contra tudo, contra Sampaoli e contra todos: Lionel Messi segue vivo na Copa do Mundo

Um técnico pode ser capaz de revolucionar, não atrapalhar ou arruinar um time de futebol. Jorge Sampaoli escolheu a terceira opção e quase matou Lionel Messi.


O excêntrico comandante fez de tudo para destruir o seu principal jogador. Fora do campo, ele já iniciou a Copa afirmando: "o time é mais de Messi do que meu", colocando ainda mais responsabilidade nas costas do personagem mais cobrado do Mundial. Messi, de repente, se viu com uma obrigação de ganhar por ser o melhor do mundo, mas só esqueceram de avisar que a Argentina não tem time, principalmente, graças ao destempero de seu treinador. Aquela velha discussão de que a Albiceleste é um bom time e que Messi tem boa companhia como no Barça, finalmente está escancarada, é apenas uma ilusão.


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Messi já salva a pele de Sampaoli desde as Eliminatórias


Por sua seleção, Jorge Sampaoli tem 15 jogos, com 15 formações diferentes. Acreditem. Convocou 53 jogadores em 13 convocações. Sofreu goleadas humilhantes pré Copa (sem Messi): 6 a 1 para a Espanha e 4 a 2 para a Nigéria. Nunca achou um time. Já ofereceu a Messi, desde que que entrou, parceiros absurdos como Papu Gomez, Rigoni e Benedetto. Icardi também teve chances, mas não teve a confiança necessária. Mas isso não é tudo, o maior e mais escandaloso de todos os episódios fica por conta da perseguição do insano Sampaoli com o camisa 10 da Juventus de Turim, Paolo Dybala. O único craque além de Messi no elenco está sendo afogado por uma vaidade do treinador. Uma frase mal colocada não pode ser motivo para tamanha falta de bom senso. Os melhores deveriam jogar juntos. Ponto final.


Pois bem, chegou o Mundial e Sampaoli ofereceu a Messi mais dois absurdos na primeira partida contra a Islandia: Biglia e Mascherano fazendo um duplo 5 completamente desnecessário e o ineficiente Meza na linha de frente. Resultado: o time só produziu algo no segundo tempo, com a entrada de Banega e com Messi tentando fazer tudo sozinho, finalizando 11 vezes ao gol adversário. Não tem cérebro que funcione com a obrigação de criar e finalizar, ainda mais sem sócios adaquados, sem divisão de responsabilidade.


Contra a Croácia, Sampaoli foi mais além em sua loucura, mudou o esquema para três zagueiros, mudou quatro peças e deu a Messi a pior escalação da história. Desta vez, nem Di Maria Messi teve ao seu lado, muito menos Banega, que havia entrado bem na partida anterior. Os parceiros foram Meza, Salvio, Pérez e Aguero isolado na frente. Obviamente, ninguém conseguiu jogar e a derrota por 3 a 0 para o conjunto de Modric e cia fez o elenco ser obrigado a interceder para a última e decisiva partida diante da Nigéria.


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Messi merecia o golaço contra a Nigéria


Jogando ao lado de sócios mais experientes e com um desenho de esquema tático mais simples, a Argentina ontem evitou uma tragédia e se levantou. Messi apareceu, fez um golaço, finalizou, tabelou, lutou, foi novamente o Messi que todos esperam.


Ninguém consegue jogar com tanta pressão nas costas, quanto mais com um técnico que insista em atrapalhar. Nunca vi ninguém jogar com tanta responsabilidade dentro e fora do campo. Por que Lionel tem de ser o "resolve aí" de uma seleção tão importante? Querem que ele ganhe a Copa, mas esquecem que não existe time e que a Argentina não tem a tradição do Brasil.


Ao menos uma história trágica não foi escrita nos livros deste craque, ele não merecia tamanha injustiça. Mas não pensem que tudo está solucionado, longe disso. Di Maria segue ausente, Higuain e Aguero não conseguem segurar uma bola na frente, Meza segue tendo chances inacreditáveis e Dybala continua sendo punido por nada. Sem falar em Lo Celso, que não teve uma chance sequer. A renovação necessária e a mescla com jovens não veio e só é notada nas entradas emergenciais do destemido Pavón.


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Mais uma imagem histórica para esta lenda do futebol


Nas oitavas de final, o normal será a organização e a força dos franceses eliminando uma Argentina desorganizada, cansada e pesada. A esperança seguirá sendo um golpe de genialidade de Lionel Messi ou a raça do grupo, mas ao menos está provado que o que Messi fez até aqui por este time nas eliminatórias foi surreal: o craque foi responsável direto por 69,3% dos 13 gols marcados pela seleção duas vezes campeã do mundo quando ele esteve presente - balançou as redes adversárias sete vezes e deu duas assistências.


Quando Messi esteve fora, a Argentina sentiu. E muito. Sem seu capitão, a equipe amargou um aproveitamento de 29,2%, com uma vitória, quatro empates e três derrotas. Com Lionel em campo, o aproveitamento pula para incríveis 70%, com seis vitórias, três empates e apenas uma derrota.


Contra tudo, contra Sampaoli e contra todos. Lionel Messi segue vivo na Copa do Mundo.


Viva o futebol!

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