A arte de ganhar um título em apenas 20 minutos de jogo

Fazia tempo que a cidade de Barcelona não respirava o futebol dessa maneira. Uma verdadeira invasão do povo basco supervalorizou a grande final da Copa do Rei, excepcionalmente jogada na casa de um dos finalistas.


Apesar do mundo achar que o Barça ganharia, os milhares de fanáticos torcedores do Atlético de Bilbao acreditavam por algum motivo no impossível: vencer o Barcelona dentro do Camp Nou.


Além deles, é claro, o time basco também entrou em campo acreditando que poderia alcançar este feito. O estádio estava dividido, eles tinham a torcida mais entusiasmada a seu favor e a marcação pressão de intensa força física parecia ser uma boa estratégia para levar o duelo para um tipo daqueles jogos amarrados, que se arrastam para um fim dramático.


Mas apenas parecia...


Aos 19 minutos do primeiro tempo, quando a bola caiu nos pés de Messi no lado direito, quase que no meio de campo, a defesa se armou perfeitamente para destruir, eles achavam que poderiam pará-lo.


Messi poderia ter tocado de lado, já que estava sendo perseguido em uma situação incomoda, mas ele resolveu encarar o primeiro marcador. Encarou, gingou, fingiu que sairia para o meio e fez um drible longo para a ponta direita.


Messi alongou a bola, o defensor veio atrás, e com ele toda estrutura daquele tipo de defesa muito bem treinada para anular as jogadas características deste craque. Simplesmente apareceu uma cobertura tripla. Não tinha pra onde ir, não tinha por onde sair, no máximo Messi poderia cavar uma falta ali entre tantos defensores.


Neste momento é que podemos enxergar a diferença entre um jogador comum de um gênio. Ele simplesmente decidiu ir em frente.

Messi decidiu pintar um novo quadro, daqueles que não se mede valor e se eternizam, quadro de final de campeonato. O mundo já conhece bem aqueles traços e não achava que ainda fosse possível vir algo muito diferente. Mas trata-se do melhor da história, trata-se de Messi.


Getty Images
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Este foi a primeira pincelada de mais uma obra de arte de Messi.


Sim, o melhor do mundo pintou diferente, para os bons apreciadores do futebol arte não foi "a jogada que ele sempre faz", Messi parecia sem saída, diminuiu a passada, limpou pra dentro e, quando parecia que seria desarmado, encontrou um espaço, aplicou um drible da vaca e pronto: ele fez o impossível, se livrou daquela cobertura tripla.


Mas a obra ainda não estava terminada, o argentino ainda tinha um zagueiro que continuava a caça para derrubá-lo antes que ele entrasse na área. Messi mostrou que ainda tem velocidade de sobra, chegou à frente, foi golpeado, mas nem pensou em cair, driblou, avançou e ficou mano a mano em alta velocidade com o quarto zagueiro da fila. Veio o famoso corte seco para dentro, o último defensor já tinha ido com a coluna torta. Faltava só o arremate mortal, mas ainda havia muita gente à frente para o famoso chute em curva por fora. O argentino então escolheu o chute forte e milimétrico por baixo no canto esquerdo do goleiro, da mesma maneira que venceu Neuer no primeiro gol da goleada de 3 a 0 contra o Bayern pela Champions.


Golaço!


Naquele exato momento em que a bola estufou as redes, com apenas 20 minutos de jogo, não existia mais ninguém no estádio que acreditasse que o Atlético de Bilbao poderia vencer aquele jogo.

Naquele exato momento Messi destroçou qualquer expectativa de defesa do time basco e de seus milhares de torcedores espalhados pela Espanha.

Naquele exato momento o mundo já dizia: eles não podem pará-lo, o Barcelona é o campeão da Copa do Rei.

Naquele exato momento não existiu um fã de futebol no planeta que não tenha dito ou suspirado mentalmente um "obrigado, Messi".


O resto foi de brinde.


Que venha a Champions, que venha a Tríplice Coroa!


Visca el Barça, visca Messi!