Espelho do Barça, a Fúria também deveria radicalizar

Na vexatória goleada sofrida para a Holanda, a seleção espanhola tinha em seu time cinco jogadores do Barcelona - poderiam ter sido sete, se Fabregas e Pedro tivessem iniciado como titulares. Isso comprova que o sucesso da Fúria nos últimos anos é reflexo do futebol do melhor time de todos os tempos praticado em um passado recente pelo Barcelona de Iniesta, Xavi, Messi e cia.


Porém, parte dos problemas da Fúria são os mesmos enfrentados pelo Barcelona neste último ano de grandes fracassos:


Sistema de jogo desvendado:


O "tik taka", famoso jogo de posse de bola envolvendo os adversários já não é mais o mesmo. Contra a Holanda, a Espanha foi melhor no primeiro tempo, mas não envolveu o adversário como em competições anteriores, esse sistema está desgastado, o time precisa de mais dinâmica e mais objetividade, exatamente o que faltou ao Barça em 2014.

O Barça vai buscar isso contratando Raktic e Aguero (ou Reus), enquanto que a Espanha já tentou isso convocando Diego Costa, mas mudar pela metade não funciona, o brasileiro naturalizado ficou um pouco isolado, até conseguiu cavar um pênalti, mas saiu do jogo como forte candidato a ser um dos fracassos da Copa, ele ainda é um estranho no ninho neste sistema de jogo que está com crise de identidade.


Desvalorizar o adversário:

A Espanha jogava melhor e ganhava por 1 a 0, teve a chance de matar com Silva, mas o bom meia foi querer fazer graça e perdeu um gol cara a cara, logo em seguida a Holanda empatou e abriu caminho para a virada. Esse lance foi um dos símbolos do que a Espanha aparentou em campo, achava que iria ganhar quando quisesse, me lembrou alguns jogos do Barça, o confronto da Champions contra o Atlético de Madrid no Calderón foi um deles, e deu no que deu. Quem não joga com preocupação acaba tendo um relaxamento involuntário que pode resultar em atropelamento.


Getty Images
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O meio campista Xavi Hernandez esteve apagado contra a Holanda


Peças que não rendem mais:
Da mesma maneira que não vinha rendendo o mesmo futebol no Barça, Xavi também não foi bem contra a Holanda. O craque símbolo desses dois times históricos já não joga com a mesma intensidade e com a mesma dinâmica, ele desaparece do jogo, não consegue mais fazer o time controlar o jogo, assim como deverá acontecer no Barça, acho que é hora do armador catalão sentar no banco da seleção. Talvez seria bom preservá-lo para as oitavas (se a Espanha classificar).


Mas, diferentemente do Barça, parece que o técnico Del Boque já percebeu que tem que fazer mudanças na Espanha, ele está tentando algo novo com Diego Costa no ataque, também já colocou Fabregas (em péssimo ano) na reserva e agora acho que poderia dar mais chances a outros jogadores do Atlético de Madrid. Koke e Juan Fran poderiam dar mais pegada ao time, além de melhorar a estatura da equipe. Outro que tem entrosamento com Diego Costa é David Villa. Eu sacrificaria um volante (Xabi Alonso) para a entrada de Villa ou do Veloz Pedro, que demorou para entrar no jogo contra a Holanda. Silva e Iniesta devem ser mantidos, mas Cazorla é uma boa opção para usar seus arremates de fora.


De um jeito ou de outra a Espanha ainda é forte, tem grande elenco e ainda é uma ameaça, principalmente para o Brasil. Espero que eles não virem o botão do "vamos jogar sério" contra a nossa Seleção nas oitavas de final.