Tiki Taka e Espanha: o fim de uma história de amor

É difícil aceitar, é difícil entender e é difícil assistir ao melancólico fim do jogo bonito que o Barça e a Fúria apresentaram ao mundo com o famoso Tiki Taka, mas antes de reclamar, achar culpado e de se apegar cegamente aos últimos capítulos, é preciso olhar pra trás, reconhecer o quanto foi bom e o quanto foi lindo o que nos foi proporcionado.


Ao invés de criticar o desgaste e a possível falta de ambição do final, onde todos adversários estudaram por anos a fio a tal fórmula deste futebol arte espanhol, prefiro olhar lá pra trás e valorizar o inacreditável, o início de tudo através do Barcelona ressuscitado com a ajuda de Ronaldinho, que encontrou seu ápice nos pés de Messi e foi parar na "Roja" do treinador Luis Aragonés. Porém o segredo não surgiu de nenhum desses gênios, o segredo é trabalhado há muitos anos nas canteiras das categorias de base do Barcelona, mais precisamente em La Masia.


E por mais que se tenha a magia, é preciso encontrar os feiticeiros com o dom natural para lidar com tal feitiço, coincidência que só deve acontecer a cada 50 anos. E esses tais raríssimos magos precisariam se encontrar na mesma época, o que tornaria o fenômeno ainda mais difícil, mas graças aos deuses do futebol o encontro aconteceu formando uma dupla perfeita, estes são Xavi e Iniesta.


Estas duas divindades do futebol são os principais responsáveis em ceder para a seleção espanhola o mesmo que desenvolveram e aperfeiçoaram no Barça. Ao lado deles Busquets foi fundamental, Piqué e Puyol também, esses 5 eram a base, essa era a chave do segredo, ninguém executaria ou executará este encanto como eles juntos.


Getty Images
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A seleção espanhola que encantou o mundo por anos e encerrou um ciclo lendário de forma triste na Copa de 2014.


Mas o tempo é impiedoso, ele passa rápido e maltrata, arranca as forças, a técnica desaparece, é preciso físico e dinâmica para ficar tanto tempo com a bola construindo tão belos gols. Xavi não aguenta mais o mesmo ritmo, Iniesta ficou isolado, o time perdeu a referência, perdeu a bola.
Sem falar na parte psicológica, o interesse cai involuntariamente, quem teve tudo por tanto tempo já não olha para o topo com a mesma gana, assim como nós, que na primeira oportunidade os criticamos, como se fossem obrigados a ganhar para sempre. 


Acabou,  durou mais do que muito imaginavam. Quem viu, viu...a partir de agora começa uma nova etapa, Neymar será um dos responsáveis pelo início de uma nova era no Barcelona, enquanto que a Espanha terá um longo caminho para construir uma nova identidade.


De qualquer maneira, valorizemos mais e critiquemos menos.
Viva o Barça e viva a Espanha, para sempre na história do futebol arte!