Volta de Dembélé deve ser celebrada, mas é preciso paciência

O empate do Barcelona contra o Celta na ida da Copa do Rei foi um bom resultado considerando que a equipe adversária estava com força total, enquanto o Barça poupou seus principais jogadores. Mesmo assim, o placar não foi a melhor notícia da partida. Em um dia em que também se destacaram Vermaelen, André Gomes e Semedo com boas atuações, e Arnaiz, do time B, com o gol que abriu o placar, Dembélé foi o grande destaque ao enfim fazer seu retorno aos gramados.


Foram três meses e meio desde a lesão logo no começo de sua trajetória como jogador do Barcelona. O francês ainda nem sequer completou uma partida inteira como titular. Contra o Celta, foram cerca de 20 minutos em campo, sem responsabilidades defensivas, como Valverde assumiu após a partida, para não correr riscos nesses primeiros minutos do retorno.


Ousmane teve uma grande chance de fazer o segundo gol do Barça no jogo, mas parou no goleiro. Se movimentou bastante, com liberdade por ser o único atacante de ofício em campo, e tentando alguns dribles, como é característico de seu estilo de jogo. Foram os primeiros passos, ainda discretos, de um jogador que segue tendo enormes expectativas em cima de si.


Essas expectativas, contudo, não podem deixar de lado o fato de ser um jogador voltando de lesão, praticamente como se estivesse chegando agora ao Barcelona. O período de adaptação que todo novo jogador vive não costuma ser fácil, e no caso de Dembélé, possui o agravante do retorno da lesão.


Getty Images
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Enfim, de volta


É esperado que ele ganhe a vaga de titular nas próximas semanas, conforme sua condição física volte a ficar próxima do ideal. Entretanto, ele não será tão decisivo como poderia ser caso a lesão não tivesse atrapalhado sua temporada, e irá cometer muitos erros até se adaptar totalmente ao time.


A situação é parecida com a primeira temporada de Neymar no clube. Um jogador acostumado às jogadas individuais, a pegar a bola e buscar o drible, chegando a um time que busca tocar a bola e procurar a melhor opção através do passe. O drible é a melhor ferramenta para encontrar mais espaços para tocar a bola, mas não é do dia para a noite que Dembélé irá entender qual é o melhor momento para tentar seus dribles característicos, e qual o momento para manter a sequência de passes.


Também entra na equação a forma como o time está jogando com Valverde, em um 4-4-2 sem pontas clássicos. Dembélé poderia fazer a função de meia direita em uma linha de 3 no meio de campo, por exemplo, mas isso aumentaria sua responsabilidade defensiva, algo que não é do interesse do treinador nesses próximos jogos.


Ao mesmo tempo em que o francês terá que entender como funciona a forma do Barcelona jogar, Valverde terá que estudar o melhor jeito de encaixar outro atacante na equipe sem desmontar o sistema sólido que está funcionando tão bem, especialmente nas últimas partidas. O retorno de Dembélé era esperado e é motivo de comemoração. Ele deve se tornar decisivo naturalmente, uma evolução que iremos assistir passo a passo, mas que deve exigir paciência de todos.