A contratação que faz sonhar: Barça acerta em cheio ao contratar Coutinho em janeiro

Ninguém aguentava mais a novela entre Liverpool, Philippe Coutinho e Barcelona. Aparentemente, nem os próprios envolvidos aguentavam mais isso, e resolveram acertar tudo logo na primeira semana do mês. A janela de janeiro poderia ser longa para o Barça se o time inglês resistisse como há seis meses. Felizmente, o melhor dos cenários aconteceu.


O valor é altíssimo, como esperado. Uma combinação de 120 milhões de euros fixos e mais 40 milhões que serão pagos caso Coutinho atinja objetivos definidos no contrato - segundo a imprensa inglesa, uma das exigências do Liverpool para que o negócio acontecesse era que esses objetivos fossem fáceis de serem cumpridos. No fim das contas, o valor total será de 160 milhões de euros, segundo mais caro da história do futebol e o mais caro da história do Barcelona.


Se vale a pena? Isso não é discussão para agora. Sempre uso Suárez como exemplo: 80 milhões de euros, à época, era um valor altíssimo por ele. Quase quatro anos depois, ninguém se lembra mais disso. O impacto do jogador foi tão positivo no clube que o valor da transferência ficou em segundo plano. Coutinho, começando a viver seu auge aos 25 anos, terá muito tempo para trilhar o mesmo caminho que Luisito trilhou.


Nos últimos anos, Philippe será o terceiro jogador que faz o caminho de Liverpool para Barcelona. Os dois anteriores são histórias de muito sucesso: Mascherano, que sairá do clube até o fim do mês, fez uma carreira gigantesca como zagueiro e foi fundamental em praticamente todos os títulos conquistados pelo clube desde sua chegada; Suárez é protagonista desde quando chegou, trazendo de volta ao time um perfil de centroavante que a equipe não tinha desde Eto’o.


Coutinho, por sua vez, traz uma característica que falta ao Barcelona: a finalização de fora da área. Apesar de liderar e ter o melhor ataque do Campeonato Espanhol, o Barça não fez sequer um gol em chutes de fora da área na competição. Uma das especialidades do brasileiro é esse tipo de finalização, e sem dúvida alguma Valverde não irá restringí-lo de usar esse recurso.


Getty Images
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Coutinho fez de tudo para ir ao Barcelona, e a transferência enfim aconteceu


A qualidade de Coutinho está acima de qualquer dúvida, depois de brilhar nas últimas temporadas na Inglaterra. Sua contratação foi questionada com base em dois argumentos: ele não poder jogar a Liga dos Campeões, já que disputou a competição pelo Liverpool na atual temporada, e também pelo preço ser mais caro no meio da temporada do que seria caso a negociação fosse feita no meio do ano.


Nenhum dos argumentos se sustenta. Mesmo jogando só Campeonato Espanhol e Copa do Rei, a chegada de Coutinho permite que Valverde dê descanso para Iniesta sem prejudicar o nível do time. Ganha um jogador de extrema qualidade para atuar na mesma posição do camisa 8.


Coutinho ainda terá seis meses para se adaptar em uma competição onde o Barça tem mais folga e não sofre tanta pressão pelos resultados. Melhor do que se adaptar durante a pré-temporada é fazer isso durante uma temporada que está em curso. E La Liga não está decidida, então Philippe será muito importante para manter a liderança, além de buscar o tetra da Copa do Rei.


O preço foi alto, porém é improvável que fosse menor no meio do ano. Principalmente porque o Liverpool dificilmente faria negócio antes da Copa do Mundo, e a tendência, olhando para a seleção brasileira e a qualidade de Coutinho, é que o jogador se valorizasse ainda mais no torneio.


Coutinho é uma contratação necessária por aspectos táticos, técnicos, mas, principalmente, porque faz a torcida sonhar. Assim como Dembélé, o brasileiro é uma grande contratação que eleva a qualidade da equipe e que faz o torcedor ir ao estádio não só para ver o time, mas também para ver a mágica que o jogador faz com os pés.


Em um ano de Copa do Mundo, Coutinho deixou o Liverpool, onde era o principal jogador e ainda estava disputando a Liga dos Campeões, para ir ao Barcelona mesmo sem poder jogar a competição europeia, sabendo que provavelmente irá atuar menos do que se ficasse na Inglaterra. É mais uma prova do enorme desejo do jogador de vestir azul e grená. Desejo tão grande quanto a ansiedade da torcida para vê-lo em campo o mais rápido possível.