Piqué pediu silêncio a um estádio que merecia se calar

Piqué mandou a torcida adversária se calar, como já fizeram vários jogadores de vários clubes enfrentando seus rivais. Os confrontos entre Barcelona e Espanyol de Cornellà sempre são quentes, palco para entradas violentas que costumam vir do time menos dotado tecnicamente. Não foi diferente dessa vez.


Durante a semana, o Espanyol, eliminado pelo Barça na Copa do Rei, denunciou Piqué por ter chamado o clube de “Espanyol de Cornellà” - o que não está errado -, e também Busquets, por ter falado que após vencer o primeiro jogo, os jogadores do time de Cornellà comemoraram como se estivessem classificados, sendo que a eliminatória dura 180 minutos - o que também não está errado.


Declarações calorosas dos dois lados e estava armado o cenário para um confusão no quarto dérbi da temporada, dessa vez em La Liga. Piqué, que já é vaiado em 9 de cada 10 estádios da Espanha, ouviu vaias em cada um dos 62 toques que deu na bola durante os 90 minutos. Quando fez o gol de empate, que manteve a invencibilidade do Barcelona no campeonato, não teve dúvidas. Pediu silêncio.


Considerando a dimensão que essas coisas tomam com Piqué, é óbvio que a comemoração será investigada por comissão disciplinar, a imprensa de Madrid irá criticá-lo (mesmo tendo tratado Raúl como herói quando fez o mesmo gesto no Camp Nou), o Espanyol vai espernear, e todo o circo vai continuar.


Reprodução/FC Barcelona
Reprodução/FC Barcelona

"se cala"


Um jogador mandar a torcida adversária se calar não é fato novo. Muito menos depois de ser vaiado por todo o jogo, e em todas as vezes que visitou o estádio. E não é apenas a polêmica das últimas semanas e as vaias de sempre. Toda vez que Piqué visita o Cornellà ouve cânticos que insultam a ele e Shakira, sua esposa.


“Piqué cabrón, Shakira tiene rabo, tu hijo es de Wakaso, y tú eres maricón”, cantou a torcida do Espanyol no jogo da Copa do Rei deste ano. Um cântico que insulta Piqué, sua esposa e seu filho. Depois de ouvir essas palavras, ou coisas parecidas, em todas suas visitas ao estádio, Piqué pediu silêncio. E não estava errado.


Insultos à família de um jogador, insultos raciais a Umtiti, a torcida do Espanyol, mais uma vez, passou dos limites. Ninguém no estádio é obrigado a assistir todo o jogo sentado, muito menos cantar durante os 90 minutos. Cada torcida tem sua forma de empurrar o time, é algo cultural, faz parte de cada clube. Contudo, um estádio de futebol não é um lugar sem regras, uma bolha onde qualquer noção básica de sociedade pode ser abandonada.


A torcida do Espanyol não é a única que comete estes atos. Todas as torcidas repetem ou repetiram isso em algum momento, e devem ser punidas de forma igual. Com Piqué, toda visita ao estádio do rival de Cornellà é uma sinfonia de insultos. Um pedido de silêncio era questão de tempo.



“Somos pessoas e reagimos de acordo com o que acontece dentro e fora do campo. E há um limite. Se os que mandam, os proprietários, não dizem nada, nós não ficaremos calados. Falta de respeito é que me denunciem por dizer que são de Cornellà e não denunciem sua torcida por insultar minha família.” - Gerard Piqué