Com três titulares improdutivos, Barça pagou pelos seus erros contra o Las Palmas

Não há uma única explicação para o empate do Barcelona contra o Las Palmas, mas, comparando com a goleada sobre o Girona no último final de semana, é fácil apontar qual a principal diferença que fez as partidas serem tão distintas. Enquanto no dérbi as pontas eram ocupadas por Dembélé e Alba, em suas descidas ao ataque, no empate contra a equipe canária essas mesmas posições eram ocupadas por Vidal e Digne.


É difícil entender o que se passa na cabeça de Valverde, que transformou o negociável Aleix Vidal em um jogador que participa de quase todos os jogos desde o meio de janeiro, sem nenhuma boa contribuição desde um jogo contra o Valencia na Copa do Rei. O mesmo aconteceu hoje, um jogador sem função e que teria dificuldades em ser titular em quase todos os clubes da metade de cima da tabela.


Digne, por sua vez, produz menos que qualquer lateral esquerdo da base. E por qualquer lateral, incluo até os garotos de 13/14 anos que estão no início de sua formação. É algo abismal como o lateral francês não consegue fazer um bom lance sequer depois que passa do meio de campo.


Em certo momento do segundo tempo, Digne errou um cruzamento de forma tão absurda que ficou visível a relutância dos jogadores do Barça em passar a bola para ele depois desse lance. Quando passaram, o óbvio aconteceu: o francês se perdeu na jogada e precisou se enroscar com o defensor para conseguir ficar com a bola.


Uma das referências para avaliar a fase ou qualidade de um jogador no Barcelona é André Gomes. Mal em 99% das vezes que pisa em campo, o português é sinônimo de improdutividade. Digne e Vidal conseguem ser piores que André. Além de não criarem nada, ainda prejudicam jogadas que poderiam ser boas.


Getty Images
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Vidal, outra vez péssimo


Olhando por esse ponto de referência, é terrível também a fase de Paulinho, que desde o começo do ano está produzindo tão pouco quanto André Gomes costuma produzir. Depois de um semestre acima do esperado, o brasileiro, seja por problemas físicos ou não, caiu muito de produção e fez mais um jogo extremamente ruim.


Jogar bem com três jogadores improdutivos no ataque é uma tarefa muito difícil. Fica ainda pior quando chances claras, como uma de Suárez no primeiro tempo, são desperdiçadas. Messi foi muito bem nos primeiros 45 minutos e marcou um belo gol de falta, mas pouco produziu no segundo tempo. Iniesta também foi apagado na metade final do jogo.


Valverde errou feio na escalação, não havia sentido em deixar Coutinho e Dembélé juntos no banco. Ao menos um deles deveria ter sido titular, no lugar de Vidal ou Paulinho. A entrada dos dois fez o Barça melhor um pouco, depois de ser dominado pelo Las Palmas no começo do segundo tempo, mas longe do suficiente.


Coutinho entrou bem pelo lado direito, participou de duas ou três boas jogadas até ir para o lado esquerdo e sumir do jogo. O brasileiro pegava na bola e passava a impressão de que estava esperando o momento para cortar e chutar. Como esse momento não chegava, ele se perdia e não produzia nada de perigo.


Dembélé entrou pelo lado direito (o que fez com que Coutinho mudasse de lado) e começou errando um drible no meio de campo. Volto a dizer, o francês precisa aprender a hora de driblar e a hora de tentar uma jogada mais simples. Alguns minutos depois ele participou de duas jogadas que poderiam levar perigo, mas não foram bem aproveitadas por Sergi Roberto e Suárez. Mesmo assim, o lado do camisa 11 era o único que exibia algum sinal de produtividade nos minutos finais, já que o outro lado estava morto com a presença de Digne.


A distância para o Atlético de Madrid caiu para 5 pontos no melhor momento do time de Simeone na temporada. O duelo de domingo entre líder e vice-líder poderia ser uma formalidade, mas os tropeços do Barça e a boa arrancada do Atlético fizeram com que o jogo se tornasse um momento crucial para definir o rumo do campeonato.


Só a vitória interessa para o Barcelona. Empatar seria manter a vantagem faltando 11 rodadas para o fim num momento em que o rival está jogando melhor e mais confiante. Uma derrota colocaria uma pressão gigantesca nos líderes, mesmo mantendo a primeira colocação.


Será uma final, um jogo com muito mais peso do que se imaginava há um mês. E se o Barça não entrar em campo em um ritmo totalmente diferente do apresentado contra o Las Palmas, será um dia cheio de problemas no Camp Nou.