Gol 600 de Messi pode valer o título espanhol para o Barcelona

Foram 45 minutos de absoluto controle do Barcelona. Ir para o vestiário com apenas 1 a 0 no placar era pouco, mesmo que Oblak não tenha tomado tantos sustos assim. Valverde colocou em campo um time para controlar a posse de bola, e assim aconteceu. O Atlético tem em Griezmann e Diego Costa dois dos atacantes mais perigosos da Espanha, mas eles praticamente não pegaram na bola no primeiro tempo.


Busquets e Rakitic fizeram uma excelente dupla novamente e ajudaram o time a sair da marcação alta do Atlético sem maiores problemas. Iniesta encontrou espaços onde não havia, enquanto Coutinho, jogando pela direita por grande parte da primeira etapa, fez sua melhor exibição pelo Barça até agora. Messi, com liberdade para circular mas atuando mais centralizado, encontrava nos dois lados jogadores com qualidade de sobra para ajudá-lo na criação das jogadas.


Quando Iniesta saiu de campo lesionado e André Gomes entrou em seu lugar, o impacto foi instantâneo. Coutinho foi para o lado esquerdo, onde continuou jogando bem até todo o time cair de produção na segunda etapa. Pelo lado direito, as jogadas já não saíam. O português frustrou a todos novamente.


A escolha de Valverde por colocá-lo em campo era justificável. Dembélé poderia ser o escolhido, mas com o perigo que o Atlético costuma levar nas transições, era necessário alguém que pudesse cumprir um papel defensivo maior do que o francês cumpriria.


Paulinho, além de estar em uma fase tão ruim quanto a de André, funciona melhor centralizado do que pelo lado. Ainda que o português seja improdutivo, na defesa ele cumpriu seu papel, e foi importante ganhando 4 disputas aéreas, ponto forte do Atlético de Madrid. É a única nota positiva de mais uma performance que mostrou como não há lugar para o camisa 21 no clube.


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André Gomes segue sendo frustrante com a bola nos pés


Mesmo crescendo no segundo tempo, o Atlético não criou muito perigo e terminou a partida com apenas uma finalização ao alvo. A estratégia de Valverde funcionou, manteve o perigo longe do gol de Stegen e enquanto a equipe conseguiu suportar o ritmo, o controle era todo do Barcelona.


O estado físico dos jogadores sem dúvida alguma pesou para que os visitantes crescessem na segunda etapa. O Atlético havia jogado na quarta-feira uma partida em casa contra o Leganés. Já o Barça visitou o Las Palmas na quinta-feira, voltou para a Catalunha em seguida, chegando em Barcelona apenas às 4h da manhã da sexta-feira, e ao meio-dia estava fazendo treino de recuperação para se preparar para um duelo decisivo.


É um problema de calendário que tem influência na partida. Não tanta influência quanto Messi, entretanto. O gol 600 da carreira profissional do Argentino pode muito bem ter dado o título do campeonato para o Barcelona. Qualquer resultado além da vitória ou deixaria o Atlético perigosamente próximo, ou manteria a boa sequência da equipe de Madrid.


A vitória do Barça, além de deixar a vantagem em confortáveis 8 pontos, freia o bom momento do segundo colocado e tem um impacto no ânimo das duas equipes. Era como uma final, e a comemoração dos jogadores após a partida mostra o tamanho da importância da vitória.


Messi, fazendo gols de falta em três rodadas seguidas, mais uma vez foi o fator desequilibrante do jogo. Deu ao Barcelona a tranquilidade para trabalhar durante a semana sem a pressão de ter o Atlético colocado na segunda posição. La Liga não está decidida, mas o conforto perdido na quinta-feira voltou com a vitória no clássico.


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Três gols de falta em três rodadas seguidas para Messi


Agora, o objetivo de Valverde deve ser fazer a equipe jogar bem nos próximos jogos como fez nos primeiros 45 minutos contra o Atlético. Uma estratégia como essa é muito parecida com o que o time provavelmente fará contra o Chelsea, no dia 13. Manter o controle da partida para anular as principais armas rivais. Resta saber se o treinador poderá contar com Iniesta para isso, ou se precisará colocar um plano B em prática.