Ainda uma promessa, Arthur é uma contratação importante para o futuro do Barcelona

Depois de semanas de especulação, enfim o negócio entre Barcelona e Grêmio foi concretizado. Arthur já pode dizer que é jogador do clube catalão, ainda que o acordo por enquanto seja apenas por uma opção de compra para o meio do ano, custando 30 milhões de euros fixos e mais 9 milhões em variáveis.


A opção de compra é apenas uma forma do Barça empurrar o custo do jogador para a lista de gastos da próxima temporada. O período que vai de julho de 2017 até junho de 2018 já conta com as contratações recordes de Dembélé e Coutinho, totalizando quase 300 milhões de euros, um peso para os cofres do clube mesmo considerando a venda de Neymar.


Ainda que o clube não esteja tratando nada além da opção de compra como oficial nesse momento, é consenso na imprensa catalã que o acordo é para a compra ser efetivada em julho e que o jogador seja incorporado ao elenco apenas em janeiro de 2019. A permanência até o final de 2018 seria uma das exigências do Grêmio para fechar o acordo, e não é um mal negócio para o Barça.


O elenco já possui o limite de jogadores sem passaporte europeu (Coutinho, Mina e Paulinho), e teria que vender ou emprestar algum deles para abrir vaga para Arthur no meio do ano. Contudo, é esperado que até janeiro Coutinho tenha o passaporte português, por sua esposa ter dupla nacionalidade. Dessa forma, seria possível inscrever Arthur no time sem se desfazer de nenhum jogador.


Getty Images
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Arthur pode se tornar uma peça importante no elenco do Barcelona


Mesmo sendo uma promessa que precisará se provar no cenário europeu, Arthur é uma contratação importante para o futuro do Barcelona. Sua capacidade de ser um meia controlador, que atua na faixa central do campo com uma responsabilidade mais criativa do que finalizadora, é algo que falta ao elenco.


A comparação é entre as características dos jogadores, e não sobre a qualidade, mas a ideia do Barça ao contratar Arthur é dar ao time outra opção de meio-campista que cumpra a função de Iniesta. Coutinho é versátil e uma das opções táticas que o brasileiro dá é a de jogar na posição do camisa 8, mas seu estilo mais objetivo muda o equilíbrio do meio de campo do time.


Na base, o meia mais próximo de dar o salto ao time principal, o que deve acontecer na próxima temporada, é Aleñá. Tecnicamente excelente e em La Masia desde os 6 anos, sua leitura do estilo de jogo do Barça é perfeita, mas também é um jogador que, mesmo sendo participativo no setor criativo, sempre busca estar mais próximo da área - ele, inclusive, é o artilheiro do time B na segunda divisão.


Sendo assim, há uma lacuna quando Iniesta não pode jogar, geralmente preenchida por jogadores que não cumprem o mesmo papel tático que ele. Por sua qualidade de passe e posicionamento, Arthur tem um perfil muito mais próximo para atuar nessa função do que os últimos meias contratados pelo Barcelona. É também outra aposta para rejuvenescer o elenco e montar a base do time para a próxima década, que está se formando com jogadores como Stegen, Umtiti, Coutinho e Dembélé.


Depois de contratar jogadores mais “físicos” na era Luis Enrique, e também da chegada de Paulinho no meio do ano passado, é interessante (e bom) ver o Barça voltando a buscar jogadores que são mais próximos do perfil que o clube se identificou nos últimos anos, de meias técnicos e inteligentes com a bola nos pés. Isso é uma mudança que sem dúvida alguma terá impacto dentro de campo.


Arthur mostrou uma qualidade enorme no excelente ano de 2017 do Grêmio e terá até o fim de 2018 para continuar brilhando no time gaúcho. Um jovem com essa qualidade, esse estilo de jogo e tão rapidamente identificado com o Barcelona já chegará ao Camp Nou sob pressão. Contudo, se sua progressão continuar como vimos no ano passado, Arthur será um jogador muito importante para os próximos anos do Barça.