Mesmo sem empolgar, Barça bateu um grande recorde que merece ser valorizado

Depois do baque sofrido contra a Roma, era normal não estar empolgado para o jogo do Barcelona contra o Valencia, ou até mesmo para o restante da temporada. Ainda assim, o clima de que ganhar o doblete espanhol é algo sem importância precisa ser evitado.


Uma decepção tão grande quanto a eliminação na Champions obviamente muda nossas perspectivas, mas isso não pode diminuir os grandes resultados que o Barça está conquistando nas competições domésticas e que pode ser sacramentado com a final da Copa do Rei na próxima semana.


Contra o Valencia, vimos um time com mais ímpeto de atacar do que contra a Roma, fazendo algumas jogadas bonitas e envolventes que fariam a diferença no meio de semana. Era um jogo complicado, contra um adversário descansado e que ocupa a terceira posição na tabela. Vencer e mostrar alguma reação após a eliminação era fundamental para recuperar um pouco os ânimos da torcida e dos próprios jogadores.


Muitos dos problemas vistos não só contra a Roma, mas na sequência recente de jogos da equipe, foram repetidos hoje. Jogadores erráticos e que demonstram claramente sentir o cansaço na reta final da temporada. Piqué, Umtiti e Stegen cometeram erros que deram chances claras ao Valencia, e isso não tem sido um fato isolado.


Por sorte, os próprios jogadores conseguiram compensar os erros. Piqué salvou quase em cima da linha após falha de Umtiti. O francês, por sua vez, bloqueou um chute perigoso da entrada da área, em uma das inúmeras oportunidades encontradas pelo Valencia para finalizar com liberdade.


Já Stegen, além de corrigir seu próprio erro com uma defesa fantástica após errar na saída de bola, também evitou que o Valencia saísse de campo com a vitória ou ao menos um empate. Sim, o goleiro falhou ao não conseguir defender o pênalti no final da partida, algo que não é muito recorrente. Mas, apesar disso, foram ao menos 4 grandes defesas que impediram o time visitante de abrir o placar ou de reagir, depois que o Barça fez o primeiro gol.


Com Messi discreto para seus padrões por grande parte da partida, os maiores destaques foram Iniesta, que deu seu show habitual com uma técnica brilhante, e também Coutinho, que deu as assistências para os dois gols do Barcelona.


Getty Images
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Coutinho está à vontade no Barcelona


O passe para o gol de Suárez, que abriu o placar, foi perfeito. Mais uma vez o brasileiro mostrou que rende muito bem dos dois lados do campo e que será um grande protagonista da próxima temporada, quando poderá jogar na Champions e será titular absoluto da equipe.


Novamente, algumas decisões de Valverde foram muito questionáveis. Por mais importante que Busquets seja para a equipe, parece estranho deixá-lo em campo por 90 minutos jogando sob efeito de uma infiltração para não sentir dores por causa de sua lesão, ainda não totalmente recuperada. Ainda mais estranho é fazer isso uma semana antes da final da Copa do Rei, uma partida muito mais decisiva do que a contra o Valencia, considerando a situação do Barça em La Liga.


Também é questionável esperar até os 15 minutos finais para fazer a primeira substituição, deixando uma delas, inclusive, para os acréscimos. Ao repetir praticamente a mesma escalação todo jogo e demorar para mudar a equipe durante a partida, Valverde demonstra não ter confiança em seus jogadores no banco de reservas, e ainda indica que não tem confiança no funcionamento da equipe sem seus “pesos pesados” em campo.


Contra o Celta, na terça-feira, será ainda mais estranho se não forem feitas mais rotações, para deixar alguns dos principais jogadores mais descansados para a final da Copa do Rei quatro dias depois. Resta saber o quanto o objetivo de ganhar o título invicto pesará nessa decisão, já que o troféu parece certo - faltam 9 pontos em 18 possíveis para garantir a primeira colocação sem depender dos rivais.


Um grande recorde foi conquistado pelo Barcelona e é preciso valorizá-lo. São 39 jogos de invencibilidade em La Liga, iniciando desde a reta final da temporada passada, ainda com Luis Enrique, e chegando até agora. O preço pode ter sido alto, já que parte desse recorde passa pela escalação do time titular em quase todas as partidas, deixando os jogadores longe do estado físico ideal na reta decisiva da temporada.


Contudo, é um recorde. Valverde insiste que marcas assim não têm grande importância para o elenco, mas é evidente que todos querem ter seu nome marcado na história. E o Barcelona de Valverde, que por muitas vezes foi salvo por Messi e Stegen, marcou seu nome na história, mesmo que em alguns jogos não tenha sido a equipe mais empolgante do mundo.