O tetracampeonato é do Barcelona. A final é de Iniesta

Existem poucos espetáculos melhores no mundo do que ver o time que você torce desfilando em campo os valores que fizeram com que vocês torcesse por ele em primeiro lugar. Esse foi o Barcelona contra o Sevilla: 5 a 0 contra um adversário que não mostrou forças e nem teve oportunidade para isso, tamanha a superioridade do time campeão.


Jogadas bem trabalhadas, um show técnico de Iniesta, Messi, Coutinho e Suárez, uma tática que funcionou muito bem e sufocou a saída de bola do Sevilla. Foi um placar elástico construído com a naturalidade de quem sabia o que estava fazendo. Um time com um objetivo, total consciência do que deveria fazer para alcançá-lo, e forte fisicamente para isso.


Em sua primeira final pelo Barça, Coutinho não decepcionou. Grande partida, com assistência e gol. O camisa 14 é o principal assistente do time nas últimas partidas em que esteve em campo, e só tende a crescer. Seja jogando como atacante, ou na sua função ideal, como meia, Coutinho já é peça-chave da equipe e merece muito erguer essa taça.


Suárez e Messi, mais acostumados a erguer troféus, fizeram o que sempre fazem em finais. Decidiram com gols, assistências e lances de puro brilho. Sem dúvida um dos melhores jogos do camisa 9 na temporada, com dois gols e participação decisiva em outros dois. Enquanto isso, Messi igualou Telmo Zarra como únicos jogadores a marcar em cinco finais de Copa do Rei.


Vale destacar também o papel de Cillessen, que, apesar de só jogar a Copa do Rei, está sempre em grande forma e hoje deu um lançamento perfeito para Coutinho no primeiro gol. É um goleiro que caberia como titular na maioria dos grandes times europeus e mesmo assim não cria problemas por não ganhar a vaga de titular de Stegen.


Contudo, só há um dono para essa final. O tetracampeonato é do Barcelona. A final, de Iniesta. Em sua última decisão pelo clube, deixou sua marca com uma apresentação brilhante e um golaço. As lágrimas dele eram lágrimas nos torcedores. Don Andrés fez a torcida campeã chorar de emoção.


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Iniesta fez com que taças virassem rotina para o Barcelona


Rakitic costuma dizer que Iniesta é parte do escudo do Barcelona. A definição é perfeita. Para muitos de nós, é difícil imaginar o clube sem ele, da mesma forma que era difícil imaginar um Barça depois de Xavi. E mesmo sabendo que a saída está certa e é questão de dias até o anúncio, é como se ainda existisse a esperança de que em algum momento Iniesta falará que decidiu voltar atrás e vai permanecer por mais um ano.


Mas a realidade não é a que queremos e ciclos chegam ao fim para que outros comecem. Aquele garoto que quase desistiu de La Masia aos 12 anos por não aguentar a saudade de casa deixará o Barcelona como um dos maiores da história do clube e o que mais vezes foi campeão com essa camisa.


Em sua última final, ergueu uma taça histórica: há 85 anos nenhum clube conseguia vencer a Copa do Rei por quatro vezes consecutivas. O Barça conseguiu, e Iniesta estava lá para erguer cada uma dessas taças, as duas últimas como primeiro capitão do time.


Não há como colocar em palavras o tamanho do significado do camisa 8 para o Barcelona. Ainda teremos alguns jogos para disfrutar de toda sua qualidade, e ainda há outra taça para conquistar. A comemoração da Copa do Rei vai se estender pela semana. Depois, será hora de voltar a brigar pelo título invicto do Campeonato Espanhol. Mais uma taça para a coleção do clube. Mais uma taça para ser erguida por Don Andrés Iniesta.


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Um por todos, e todos por Iniesta