A preocupante baixa presença de canteranos no elenco do Barcelona

O Barcelona é mundialmente conhecido, com razão e méritos, por ser um dos maiores, se não for o maior, clubes formadores de talentos do mundo. Quando os temas em debate são formação e desenvolvimento de jovens talentos no âmbito do futebol é praticamente impossível não pensar em Barcelona, La Masia e em todos os canteranos que de lá saíram para conquistar o mundo com o manto azul-grená.


O auge de toda essa tradição culé na formação de jogadores talvez tenha acontecido na final da UEFA Champions League da temporada 2010-11, quando o clube entrou em campo com sete dos 11 titulares formados em suas categorias da base, além de outros quatro canteranos, incluindo o capitão Carles Puyol, no banco de reservas, todos sob o comando de Pep Guardiola, técnico que se formou jogador profissional no próprio Barcelona, onde também recebeu suas primeiras oportunidades como treinador.


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Busquets, Messi, Xavi e Iniesta, representantes de uma base que rendeu muitas alegrias aos torcedores nos últimos anos


A realidade de hoje, todavia, não demonstra a mesma grandiosidade, no elenco atual, após a saída de Andrés Iniesta ao final da temporada 2017-18 para o Vissel Kobe, do Japão, permanecem como representantes de La Masia Piqué, Alba, Busquets, Sergi Roberto e Messi, além de Rafinha Alcântara, que ainda não tem a sua permanência no clube definida, e de Denis Suárez, que chegou ao clube já aos 19 anos.


É possível que se trate apenas de uma entressafra, e que as canteras do clube catalão voltem a produzir grandes jogadores em bom número nos próximos anos, mas há também indícios que sustentam que o fator mais determinante para a realidade que se apresenta seja o não aproveitamento de bons jogadores formados pelo clube nas últimas temporadas, o que resultaria, consequentemente, em responsabilização direta dos treinadores que passaram pelo Barça no período.


A saída ao longo das temporadas de jogadores talentosos formados pelo clube, como Cesc Fàbregas, Thiago Alcântara e Pedro Rodríguez, são indícios de que os treinadores e diretores que estiveram à frente do clube nesse período atribuem pouca importância à identificação dos membros do elenco com o clube.


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Thiago Alcântara, formado em La Masia e negociado com o Bayern de Munique em 2013, poderia ser um substituto identificado com o clube e à altura para o capitão Iniesta


As saídas de jogadores como Alejandro Grimaldo, atualmente no Benfica, Alen Halilovic, contratado há pouco tempo pelo Milan, Gerard Deulofeu, negociado em Janeiro de 2018 com o Watford, da Inglaterra, e Adama Traoré, que deve ser anunciado nos próximos dias como reforço do Wolverhampton, sem que houvessem recebido as oportunidades que permitiram aos mesmos protagonizar bons desempenhos em seus novos clubes são fatos que reforçam essa impressão de que a base do clube tem sido subaproveitada.


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Alejandro Grimaldo, ex-capitão do Barcelona B, atualmente no Benfica, exemplo de canterano que deixou o clube sem receber oportunidades, se firmou e agora recebe sondagens para reforçar concorrentes diretos do Barcelona


O clube atualmente possui alguns bons jogadores atuando pelo Barcelona B, na terceira divisão do futebol espanhol, jogadores como Sergi Palencia, Juan Miranda, Riqui Puig, Carles Aleñá, José Arnaiz e Abel Ruiz já mostraram as suas qualidades na base do clube, e atualmente aguardam para saber se receberão as oportunidades necessárias para o seu desenvolvimento adequado, que foram negadas a outros jovens talentos em tempos recentes, permitindo que se firmem na equipe principal e mostrem ao mundo mais uma vez a força e a importância que La Masia tem para o Barcelona e para o mundo do futebol.