Setor a setor, a análise do meio-de-campo do Barcelona na temporada 2018/19


Primeiramente, peço desculpas aos leitores do blog pelo atraso na postagem desse texto, que deveria ter sido publicado ontem, às 10h00min.


Uma situação urgente requereu a minha atenção ao longo de toda a noite de segunda e impediu a finalização do texto a tempo para a publicação.



Essa é a terceira de uma série de 4 publicações que analisa a janela de transferências e o elenco do Barcelona na temporada 2018/19.



Para conhecer em sua integralidade a análise desse blog, não deixe de ler as publicações anteriores:


04/09/2018: Janela de Transferências


08/09/2018: Defesa



Após as análises da janela de transferências e da defesa barcelonista nos dois primeiros textos da série, hoje o foco da avaliação será o meio-de-campo do Barça para essa temporada.


O meio-de-campo é o principal setor de uma equipe de futebol, é nele que jogos são ganhos ou perdidos. No modelo de jogo tradicionalmente praticado pelo Barcelona, é indispensável a presença de excelentes jogadores no setor, uma vez que caberá a eles ditar o ritmo da partida, conduzir e assentar a equipe no campo de defesa do adversário e criar ocasiões de gol.


OS MÓDULOS DE JOGO: 4-3-3 OU 4-4-2?


Atual treinador do clube catalão, Ernesto Valverde vem alternando a equipe entre os módulos de jogo 4-3-3, tradicionalíssimo na história recente do Barça, e um 4-4-2 ao melhor estilo inglês, formado por duas linhas de 4 jogadores na defesa e no meio-de-campo.


Embora reconheça o valor do 4-4-2 que o técnico adota em algumas partidas, pessoalmente sempre preferi que a equipe jogasse no 4-3-3 que rendeu ao Barcelona e a nós torcedores muitas alegrias nas formas de títulos e de bom futebol.


Getty Images
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Ernesto Valverde tem modificado constantemente o módulo de jogo da equipe.


Nesse módulo de jogo historicamente adotado pelo Barça, o meio-de-campo é formado por 3 jogadores que se posicionam formando um triângulo. No vértice mais baixo estará um único volante, posição que na Espanha se chama pivote ou mediocentro, e nos demais vértices estarão dois meias que atuam centralizados no gramado, conhecidos na Espanha como interiores.


Diferentemente do que ocorre na imensa maioria das demais equipes ao redor do planeta, no Barcelona a principal função do volante não é defensiva. O jogador que ocupa a posição deve ser um facilitador na saída de bola e um importante ponto de apoio que permita o avanço do time sobre o campo de defesa do adversário.


Apesar de não ser uma regra intrínseca do próprio módulo, na história recente do clube as posições de interiores vem sendo ocupadas por jogadores com características diferentes e complementares.


O posto de interior direito tem sido ocupado por articuladores, jogadores capazes de ditar o ritmo do jogo e de conduzir e estabelecer a presença da equipe no campo adversário. A posição de interior esquerdo foi ocupada em tempos recentes por jogadores dotados de imensa criatividade, capazes de criar oportunidades de gol com frequência.


Naturalmente, os melhores exemplos foram Xavi Hernández e Andrés Iniesta, que formaram por anos uma dupla de interiores sem par na história do Barça e muito difícil de ser igualada ou superada mesmo quando as comparações se estendem a toda história do futebol.


Para impedir que a publicação se torne excessivamente longa e cansativa, a análise de hoje se concentrará nos jogadores que ocuparão as posições do meio-de-campo nesse 4-3-3. Avaliações relativas aos jogadores que poderiam ocupar as faixas laterais do gramado serão realizadas no próximo texto, onde o foco serão as opções ofensivas do elenco culé.



Não perca na próxima sexta-feira, dia 14 de Setembro, às 10h00min, a análise completa do ataque do Barcelona para a temporada.



OS MEDIOCENTROS: BUSQUETS E ???


Há uma quase unanimidade no Barcelona quando o tema em discussão é a posição de volante, Sergio Busquets é o titular incontestável na função.


Entretanto, há uma dúvida que certamente surgirá ao longo da temporada. Quem deve ocupar a posição quando o camisa 5 não estiver disponível? São 4 os principais candidatos: Ivan Rakitic, Arthur, Sergi Roberto e Sergi Samper.


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Vice-capitão do Barcelona, Sergio Busquets não tem um substituto certo no elenco do clube catalão.


Ivan Rakitic, vice-campeão mundial com a seleção croata na Copa do Mundo da Rússia, é o jogador com a maior capacidade técnica entre os candidatos. Entretanto, seu baixo índice de participação depõe contra ele. Rakitic pouco busca o contato com a bola, sempre prefere aguardar que ela venha até si, e essa não é uma característica desejável para a função.


Recém-chegado ao clube, Arthur é um meio-campista dinâmico e altamente participativo. A utilização do brasileiro na posição certamente não seria difícil, mas limitaria as melhores qualidades do jogador. As capacidades do ex-atleta do Grêmio de imprimir ritmo e fluidez ao jogo coletivo e comandar as ações no meio-de-campo pode ser melhor aproveitada atuando como interior.


Quem parece ser a opção ideal é o canterano Sergi Roberto. O camisa 20 já demonstrou em outras ocasiões que conhece e executa a função de maneira eficiente. Ao contrário do que aconteceria com Arthur, escalar o espanhol como substituto de Busquets não representaria um grande sacrifício de suas capacidades criativas, uma vez que a criatividade não é a característica mais marcante do jogador.


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Sergi Roberto, o canterano já mostrou entendimento e bom desempenho na posição de volante.


A quarta opção de substituto para Busquets é o também canterano Sergi Samper. O espanhol teve excelente desempenho nas oportunidades que recebeu de Luis Enrique ao longo da temporada 2014/15, e certamente retorna ao clube disposto a conquistar o seu espaço.


Emprestado a Granada e Las Palmas nas últimas temporadas, as lesões não permitiram que Samper voltasse a apresentar o seu melhor futebol. A intenção do Barcelona era emprestar novamente o jogador, o que só não ocorreu devido à uma nova lesão sofrida pelo canterano durante a pré-temporada.


Ernesto Valverde enxergou em Samper qualidades suficientes para decidir que o manteria no elenco da equipe principal. O novo camisa 16 precisará mostrar em campo que pode ser uma alternativa válida a Busquets, mas para que isso aconteça o treinador precisará encontrar formas de oportunizar minutos ao jovem jogador em um elenco repleto de meio-campistas.


Se a decisão coubesse somente a mim, o reserva imediato de Busquets seria Sergi Roberto, com Nelson Semedo ocupando a lateral-direita. Caso também não fosse possível a escalação do camisa 20, iniciaria a partida com Arthur na posição.


Acredito ser indispensável que Samper receba alguns minutos em jogos contra equipes da parte mais baixa da tabela de classificação do campeonato espanhol e jogue o máximo possível nas fases iniciais da Copa Del Rey.


NOVE JOGADORES PARA DUAS VAGAS: OS INTERIORES DO BARÇA


O Barcelona conta em seu elenco com 9 jogadores que poderiam ocupar as posições de interiores: Ivan Rakitic, Denis Suárez, Philippe Coutinho, Arthur, Rafinha, Sergi Roberto, Arturo Vidal, Carles Aleñá e Riqui Puig.


Para tornar a análise mais concisa, dividirei arbitrariamente os jogadores em dois grupos de acordo com a função em que julgue que melhor se adaptam.


Como candidatos ao posto de interior direito, cuja função é articular o jogo da equipe, o Barça possui Ivan Rakitic, Arthur, Sergi Roberto e Arturo Vidal.


Como dito anteriormente, Ivan Rakitic é um jogador tecnicamente exuberante, mas que carece de dinamismo e de uma maior participação. Titular desde a sua contratação junto ao Sevilla no início da temporada 2014/15, o croata deve ser figura constante no 11 inicial de Ernesto Valverde para a temporada.


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Ivan Rakitic, o croata é o único titular garantido entre os meio-campistas interiores do elenco nesse início de temporada.


Recém-chegado ao clube, Arthur pode vir a ser uma excelente opção para a posição em um futuro próximo. Altamente dinâmico e participativo, o jovem meio-campista precisa apenas adquirir experiência para se tornar uma referência do meio-de-campo do Barcelona.


Diferentemente do que acontece na posição de volante, Sergi Roberto já se provou um interior com pouca influência na equipe. O espanhol possui boa qualidade técnica, porém é um jogador muito pragmático, raramente assume riscos e isso torna o seu jogo previsível e pouco criativo.


O chileno Arturo Vidal, ex-Bayern de Munique, chegou ao clube para ser o substituto de Paulinho, emprestado ao Guangzhou Evergrande, da China. Com as mesmas características do brasileiro, forte fisicamente e com boa chegada à área adversária, seria o candidato menos recomandável ao posto, uma vez que sua presença entre os titulares alteraria de maneira significativa o modelo de jogo do time.


Apesar de reconhecer o valor de Vidal, gostaria de ver o chileno em campo apenas e tão somente quando o Barça precisar marcar um gol nos minutos finais de alguma partida, quando sua capacidade finalizadora poderia ser uma arma interessante.  


Para a função de interior esquerdo, o clube conta com Philippe Coutinho, Rafinha Alcântara, Denis Suárez, Carles Aleñá e Riqui Puig.


Apesar de ser indiscutivelmente o mais talentoso dentre os candidatos, Philippe Coutinho é o menos adequado ao posto. A presença do brasileiro como interior esquerdo divide a equipe em dois blocos, mina a criatividade do meio-de-campo e impede o domínio da partida pelo Barcelona.


Entretanto, nada disso é culpa do jogador. Sua posição ideal em campo é a de meia ou ponta esquerda, onde as suas capacidades de drible e de finalização de média e longa distâncias são mais eficientes e também mais perigosas.


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Apesar de imensamente talentoso, Philippe Coutinho não deveria ser utilizado por Ernesto Valverde como interior.


Formado em La Masia, Rafinha Alcântara fez por merecer ao longo da pré-temporada um número maior de minutos em campo. Criativo e habiloso, o brasileiro conhece o modelo de jogo do Barcelona e poderia até iniciar a temporada como titular da posição.


O espanhol Denis Suárez, que chegou ao clube com 19 anos para jogar no Barça B, seria a segunda opção para a função. Embora não seja um canterano, seu tempo de clube garante que o jogador conhece o modelo de jogo do clube.


Suárez fez algumas boas partidas saindo do banco de reservas nas duas últimas temporadas. Deveria ser a sombra de Rafinha na posição, substituindo o brasileiro quando não estivesse bem em campou ou até assumindo a titularidade caso o titular entrasse em uma sequência de maus desempenhos.


Os talentosos canteranos Carles Aleñá e Riqui Puig vivem situação similar. Ainda em estágio de adaptação ao futebol profissional, não devem ter os seus desenvolvimentos apressados. Serão solução para o futuro, mas para que isso seja possível é necessário blindá-los no presente.


Aleñá e Puig devem entrar em campo sempre que possível para que adquiram experiência, preferencialmente em jogos decididos e em fases iniciais da Copa del Rey.


CONCLUSÕES:


Se eu fosse treinador do Barcelona, iniciaria a temporada com o meio-de-campo formado por Busquets, Rakitic e Rafinha Alcântara. Entretanto, essa ainda não seria minha escalação definitiva para toda a temporada.


Ao longo da primeira metade da temporada, procuraria garantir que Arthur recebesse o maior número possível de minutos em campo. Se a adaptação do brasileiro fosse satisfatória, lhe daria a titularidade como interior direito em detrimento de Ivan Rakitic.


Ao longo desse mesmo período, alternaria a titularidade entre Rafinha Alcântara e Denis Suárez  até que um deles garantisse a titularidade à base de de bom futebol. Caso isso não ocorresse, passaria a escalar Busquets, Arthur e Rakitic no meio-de-campo até o final da temporada, quando recomendaria que fosse contratado um reforço de bom nível para o setor.


E você, amigo leitor, em que módulo de jogo (esquema tático) escalaria o meio-de-campo do Barcelona e quem seriam os seus titulares?



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