Setor a setor, a análise do ataque do Barcelona na temporada 2018/19

Essa é a quarta e última de uma série de publicações que analisa a janela de transferências de verão e o elenco do Barcelona na temporada 2018/19.



Para conhecer em sua integralidade a análise desse blog, não deixe de ler as publicações anteriores:


04/09/2018: Janela de Transferências


08/09/2018: Defesa


12/09/2018: Meio-de-campo



Depois de avaliar a janela de transferências, a defesa e o meio-de-campo do Barça nos textos anteriores, chegou o momento de focar a análise nas armas ofensivas do elenco barcelonista para a atual temporada.


Conforme mencionado no artigo anterior, Ernesto Valverde tem alternado o módulo de jogo do Barcelona entre o 4-3-3 tradicional do clube e um 4-4-2 muito comum no futebol inglês, onde os jogadores que compõem a defesa e o meio-de-campo formam duas linhas em campo.


Analisar cada jogador em cada um dos esquemas tornaria o tema de hoje bastante longo e cansativo, por esse motivo decidi dividi-lo em três subtemas: Lionel Messi, Luis Suarez e os demais atacantes do elenco.


LIONEL MESSI:


Como um dos maiores jogadores de todos os tempos, Lionel Messi continuará sendo na atual temporada o craque, o principal criador de oportunidades de gol e o melhor finalizador do Barcelona.


Entretanto, há uma questão importante sobre a qual Ernesto Valverde deverá se debruçar ao longo dos próximos meses: qual a melhor maneira de utilizar todo o imenso talento de Messi, aproximando-o do gol adversário ou lhe cedendo a liberdade para influenciar na construção das jogadas desde o meio-de-campo?


Ambos os cenários já foram vistos em Barcelona. Gerardo Martino foi o técnico que mais restringiu Messi, que ao longo da temporada 2013/14 atuou quase como um camisa 9 típico, enquanto Pep Guardiola foi o treinador que mais liberdades concedeu ao camisa 10, principalmente ao longo das temporadas 2010/11 e 2011/12.


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Lionel Messi, o camisa 10 continua sendo o grande craque e a maior esperança do Barcelona.


Os resultados são incomparáveis, enquanto a liberdade dada a Messi por Guardiola rendeu ao clube 7 dos 10 títulos disputados no período mencionado acima, a restrição de Messi por Tata Martino permitiu apenas a conquista da Supercopa da Espanha de 2013 e nada mais.


Todavia, há uma diferença fundamental entre o Barcelona das temporadas 2010/11 e 2011/12 e o atual que precisa ser considerada, o Pep Team não contava com um centroavante.


A presença de Luis Suárez no elenco barcelonista gera a grande dificuldade que Valverde terá que enfrentar: como dar ao camisa 10 toda a liberdade quando a zona central do ataque, que anteriormente estava inteiramente à sua disposição, estará constantemente ocupada pelo centroavante uruguaio?


Essa será a grande missão do treinador para a temporada, encontrar um meio de garantir a Lionel Messi a maior liberdade possível sem sacrificar Suárez em demasia, uma vez que afastar El Pistolero da grande área costuma resultar em uma vertiginosa queda do rendimento do uruguaio.


LUIS SUÁREZ:


Antes de começar tratar do tema, é preciso contextualizar a opinião que será externalizada.


Quando começaram a circular as especulações da possível contratação do então centroavante do Liverpool no verão europeu de 2014, fui completamente contrário à ideia. Não me parecia uma decisão sábia deslocar Messi para a ponta-direita depois de toda a capacidade goleadora demonstrada pelo argentino. Entretanto, a diretoria e a comissão técnica da época tinham outra visão e a contratação do uruguaio foi fechada por aproximadamente € 82 milhões.


A partir do momento em que assinou contrato, El Pistolero passou a ser um ativo do clube. É por essa razão que entendo que a solução agora é utilizá-lo da melhor maneira possível, apesar de ter sido contrário à sua contração em um primeiro momento.


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El Pistolero continuará sendo uma arma poderosa do ataque do Barça.


Logicamente, não é nenhum sacrifício contar com um atacante que anotou 154 gols em 202 jogos com a camisa do clube. Se Luis Suárez não é um atacante tecnicamente exuberante, é impossível não reconhecer que se trata de um artilheiro nato e também de um dos atacantes mais aguerridos do futebol mundial.


Mais uma vez, caberá a Ernesto Valverde a grande missão de  encontrar uma forma de explorar ao máximo tanto as capacidades goleadoras de Suárez quanto as de Lionel Messi.


A maneira mais eficiente para fazer isso pode passar por educar o uruguaio, para que consiga identificar os momentos em que deve deixar o centro do ataque livre para criar espaços para o camisa 10. Entretanto, tentar ensinar um goleador como El Pistolero a se posicionar para criar espaços ao invés de para tentar marcar gols é uma tarefa que pode se revelar muito mais complexa na prática do que parece na teoria.


OUTROS ATACANTES:


Analisadas as duas grandes referências ofensivas da equipe, é o momento de analisar as demais opções ofensivas do elenco. Além de Messi e Suárez, há 4 atacantes no elenco: Philippe Coutinho, Dembélé e Malcom, jogadores que atuam pela faixa lateral do gramado, e Munir El Haddadi, o centroavante reserva.


O brasileiro Philippe Coutinho é atualmente o jogador mais qualificado dentre os pontas do elenco, sua experiência o coloca à frente de Dembélé e Malcom. Capaz de atuar em ambos os lados do campo, é na esquerda que as qualidades de Coutinho mais se destacam, uma vez que nessa posição o camisa 7 pode explorar todas as suas qualidades, em especial seus dribles e chutes de média e longa distância.


Coutinho deve ter vaga praticamente garantida entre os titulares em todos os jogos importantes, seja atuando como extremo ou como interior, como vem acontecendo nas últimas partidas.


Depois de uma temporada de estreia repleta de lesões, Ousmane Dembélé parece ter reencontrado seu melhor rendimento nesse início de temporada. El Mosquito marcou 3 gols nos 4 primeiros jogos da atual temporada e está perto de igualar sua marca goleadora da temporada 2017/18, quando fez apenas 4 gols.


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Com apenas 4 jogos na atual temporada Dembélé praticamente já igualou toda a sua marca goleadora da temporada 2017/18.


Um raro exemplo de jogador ambidestro, Dembélé pode atuar em ambos os lados do campo e tem como grandes qualidades a velocidade, o drible e a finalização.


O francês parece ter conquistado a confiança de Ernesto Valverde nesse início de temporada, e é provável que o vejamos em campo com muita frequência a partir de agora.


Recém-chegado ao clube, Malcom estranhamente reúne de modo simultâneo o potencial para ser um grande atacante e indícios de que sua contratação pode ter sido um grave erro de avaliação.


Assim como Dembélé, Malcom também tem como principais armas a sua velocidade e seus dribles. As qualidades do brasileiro como jogador são visíveis, mas o atacante deveria receber mais minutos em campo do que tem recebido nesse início de temporada. 


Com jogadores como Messi, Dembélé e Coutinho no elenco, Ernesto Valverde terá de administrar com maestria os minutos de cada jogador, capacidade que o treinador não demonstrou ao longo de sua primeira temporada, o que torna a presença de Malcom no elenco uma incógnita.


São raras as oportunidades para contar com um jogador tão cobiçado como o brasileiro por apenas € 41 milhões de Euros, então espero que Valverde saiba mantê-lo ativo e satisfeito no clube, de modo a permitir o desenvolvimento de todo o seu enorme potencial.


Por fim, temos o retorno de Munir El Haddadi ao clube. Emprestado ao Valencia e a ao Aláves nas duas últimas temporadas, Munir se destacou ao marcar 14 gols na temporada 2017/18 e volta ao clube com a missão de ser o reserva imediato de Luis Suárez.


Formado em La Masia, o espanhol inegavelmente possui qualidade técnica razoável, mas não deve e nem pode ser considerado uma alternativa para os grandes jogos da temporada.


A missão de Munir será dar um descanso eventual a Suárez em jogos de menor importância no campeonato espanhol e na Copa del Rey. Se ocorrer de El Pistolero não estar disponível para um grande confronto, acredito que Messi deverá assumir o comando do ataque.


CONCLUSÕES:


O Barcelona está muitíssimo bem servido de atacantes, talvez até demais, e o setor não deve gerar grandes preocupações para o seu treinador e também para a sua torcida. Messi continuará sendo o centro das ações ofensivas da equipe, mas será necessário diminuir a chamada "Messidependência", pois há no elenco qualidade suficiente para isso.


TIME IDEAL:


Na publicação que analisou a defesa, afirmei que Sergi Roberto, Piqué, Umtiti e Jordi Alba deveriam formar a linha defensiva, e no texto seguinte defendi que Busquets, Rakitic e Rafinha iniciem a temporada como titulares da linha média, enquanto o clube aguarda a maturação de Arthur.


Embora tenha considerado e compreendido outras visões sobre a formação ideal para o time com os comentários dos leitores, por ora matenho as minhas impressões iniciais.


Sobre o ataque, entendo que o trio formado por Messi, Suárez e Coutinho é o mais qualificado e experiente nesse momento, e por essa razão acredito que os 3 deveriam iniciar a temporada entre os 11 titulares.


Considerando o conjunto, seria algo parecido com isso:


Lineupbuilder.com
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Formação principal, no 4-3-3.


Outra alternativa que passei a considerar por conta de alguns comentários foi um 4-4-2 com a mesma linha defensiva, Dembélé, Rakitic, Busquets e Coutinho como meio-campistas e Messi e Suárez como atacantes.


Lineupbuilder.com
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Formação alternativa, no 4-4-2.


E você, caro leitor, o que pensa sobre a formação ideal para o Barça nessa temporada? 



Toda terça-feira, às 10h00min, você encontra um post novo aqui no Les Corts.


Acompanhe também os textos pré e pós-jogo, postados nos dias anteriores à cada partida, às 10h00min, e nos dias dos jogos, até às 22h00min.